• 17 de agosto de 2012

    Sobre falar e agir

    – Eu preciso dizer o que estou pensando sabe?

    – Sim, é importante fazer isso, mas me diga, ao dizer, o que você espera que vai acontecer?

    – Espero que as coisas mudem oras.

    – Perfeito e de que forma isso que você vai dizer vai mudar efetivamente as coisas?

    – Hum, não sei ao certo, mas acho que vai dar uma mudada.

    – Pode ser que sim, mas, me de um exemplo de mudança possível disso

    – Ah… se ele entender como eu me sinto pode ser que melhore algo né?

    – Sim, mas e com relação à você mudar o seu comportamento?

    – Como assim?

    – Ora, se tem coisas que não estão lhe agradando talvez junto com falar você possa mudar as suas atitudes em relação ao seu parceiro e, assim, melhorar “as coisas”.

    – Hum… não tinha pensado nisso.

    – É uma questão de mudar a estratégia, ao invés de esperar que as palavras gerem no outro uma mudança, faça você uma mudança no seu comportamento que mantenha a sua integridade pessoal e a da relação. Que te parece?

    – Hum… como falei, não tinha pensado nisso.

    – Quer pensar?

    – Quero

    – Então vamos lá: pense em três comportamentos que você pode começar a ter e que vão ser uma ação sua para melhorar algum aspecto da sua relação.

    – Ok.

     

    Depositamos esperanças demais na fala. Esperamos que ela por si só faça com que os outros mudem suas percepções e atitudes. Quando o outro possui esta disponibilidade isso ocorre, mas quando não possui, fica complicado. Além disso outros fatores entram em cena durante uma conversa, as emoções, por exemplo, podem distorcer palavras e intenções.

    Desta forma, além da fala – que usada com o intuito de esclarecer é ótima – podemos – e devemos – aprender a flexibilizar o nosso comportamento para ter mais atitudes com nosso parceiro. “Flexibilizar” significa desenvolver em nós a competência de criar vários comportamentos na direção de buscar os nossos objetivos, de harmonizar uma relação, de nos mantermos íntegros e mantermos a nossa relação íntegra também.

    Ter estas atitudes envolve estar em contato constante com o limiar do nosso conhecimento, saber observar as reações do nosso parceiro, estar comprometido com o seu desejo de construir com essa pessoa uma relação feliz.

    Porque nos comportarmos de forma diferente? Simples: uma relação não é algo extático, é uma eterna construção. É como a metáfora do jardim: ele nunca está pronto, necessita de cuidado, apreciação e manutenção constantes. Como a relação muda, evolui, as pessoas também o fazem e antigos comportamentos podem, hoje, não ser mais úteis. Evoluir, por sua vez, é um aprendizado, ou seja, o casal está aprendendo junto e como estão aprendendo, parte-se do pressuposto de que ainda não sabem – se soubessem já estariam fazendo diferente – e como os dois não sabem, como se pode ficar apenas cobrando uma nova atitude? O mais sensato é começar a mudar os seus comportamentos, pensamentos e, com isso, começar a ajudar o outro a  mudar com você.

    Abraço

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