• 17 de setembro de 2012

    Dramas de controle

    – Tenho medo de dizer isso para ela.

    – Eu entendo, medo do que, por exemplo?

    – Medo de que ela fique braba comigo.

    – Você quer se encontrar com os seus amigos e tem medo de que ela fique braba? Hum… me parece algo comum na sua história não parece?

    – Como assim?

    – Você já viveu isso em outras situações, lembra-se?

    – Ah, sim, sim… com minha família era a mesma coisa. Enquanto eu estava dentro de casa tudo bem, mas comecei a sair… ficavam brabos, brigavam e tal.

    – Pois é, e agora você está aqui, me contando a mesma história.

    – É né?

    – É.

    (Silêncio breve)

    (Akim diz) – Perfeito, agora pense: o que, no seu comportamento, alimenta esse ciclo que você já conhece?

    – Hum… acho que é o medo não é?

    – Perfeito! O seu medo alimenta o vício dela em te controlar, de achar que você pertence à ela!

    – Hum…

    – A questão é que é um drama que você está repetindo entende? O mesmo script numa situação diferente. O que será que você está precisando aprender com este script?

    – Sabe Akim acho que… Acho não, é tudo a mesma questão sempre: eu fazer valer o meu desejo!

    – Desenvolva…

    – É… tipo, quanto mais eu fico com medo de falar o que eu quero, mais eu fico quieto e sem ação, daí crio para os outros a ilusão de que eu preciso ser mandado, que não tenho muitos desejos, que não sei bem o que eu quero. Se eu levar mais à sério o que eu quero não vou passar essa impressão aos outros.

    – Muito bom! Vai ter que aprender a confiar no seu desejo!

    – Pois é

    – E segui-lo

    – É

    – E cuidar dele…

    – Tá bom, entendi (risos) vou ter que estar 100% comprometido com o que eu quero para mim.

    – Sim, negociação é possível, mas não para abrir mão, apenas para negociar o “quando” e “como” capicce?

    – Sim! Vou lá!

     

    Muitas vezes as pessoas reclamam das vidas que levavam com suas famílias de origem e quando se dão conta, pimba: estão tendo a mesma vida com seus namorados, namoradas, ou esposos e esposas. Repetimos o mesmo script, o mesmo drama que vivemos em nossa infância, adolescência.

    Porque repetimos?

    Porque ainda não aprendemos o essencial – para nós – sobre aquele script. É como ler um texto várias vezes para entender a mensagem daquele texto. Enquanto você não entende, precisa ler e reler e ler novamente. Pode ir buscar mais fontes, professores para ajudar a compreensão, mas no final está lá você lendo, novamente o mesmo texto.

    Repetir é ruim?

    Não. Não se trata de ser bom ou ruim, mas sim de termos ou não tido o aprendizado necessário. Se você se perceber repetindo uma história, não se culpe, pelo contrário, se acarinhe e crie – para você mesmo – o melhor ambiente possível para você aprender o que precisa aprender.

    Como aprender?

    Cada script vem com um aprendizado específico. Alguns precisam aprender a colocar limites, outros precisam aprender a se abrir e se entregar, outros precisam a prender a serem mais sérios e alguns a serem mais brincalhões, alguns a se desapegar, outros a se apegarem. Geralmente a pergunta: “Que atitude, comportamento, você deveria ter para mudar a sua reação nessa situação para sempre?” geralmente ajuda a nos dar um foco para a aprendizagem. Este é o desafio, cada texto possui várias mensagens, qual a sua? É aquela que faz com que a sua ansiedade frente ao script mude, desapareça e lhe deixe com a sensação de que você está mais sábio em relação àquela situação.

    Abraço

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