• 5 de abril de 2019

Se eu pensar diferente, vou sentir diferente?

Portrait thinking woman in glasses looking up with light idea bulb above head isolated on gray wall background

– Mas é que isso não tem como dar certo!

– O que te faz pensar assim?

– Eu não vou pegar e mudar o que eu penso e pronto, tudo ficará lindo!

– Não, com certeza não será assim.

– Mas é o que você está me dizendo para fazer!

– Não trabalho assim, logo não é isso o que estou dizendo. Talvez seja o que você esteja achando sobre a minha proposta.

– Pode ser… mas isso não vai funcionar.

– Não mesmo.

 

Quando se fala em “mudar o pensamento”, muitas pessoas caem na ilusão de que trocar as palavras que dizemos para nós mesmos irá funcionar. Isso se deve porque não compreendemos a estreita relação entre o que pensamos, sentimos, e nossa ação. Mudar o pensamento é muito mais complexo do que se dizer coisas diferentes e funciona!

Achamos que o pensamento é desvinculado da emoção, este é um primeiro engano. Achamos que podemos pensar uma coisa e fazer outra, este é outro engano. É óbvio que podemos ter pensamentos e sentimentos que estejam em desarmonia, porém isto tem um “custo” em nós. Qualquer um sabe a diferença entre fazer algo sentindo que isso é bom para você e “apenas por obrigação”. A diferença é enorme. Esta percepção é importante para compreender o que é mudar um pensamento e como isso é muito profundo.

Não temos pensamentos à toa. Nossas conclusões sobre o mundo, as pessoas e nós mesmos: “as pessoas são ruins”, “sou um idiota”; refletem nossas experiências, aquilo que conseguimos aprender de nossas experiências e as ações que tomamos com base nisso tudo. Assim sendo, quando nos referimos à algo que passa em nossa mente, também nos referimos às emoções, experiências e comportamentos que temos em relação aquele pensamento. “Eu sou fraco”, por exemplo, aciona memórias de quando nos sentimos assim, aquilo que fizemos ou não fizemos na situação e também um (ou mais) sentimento(s).

Quando se fala, então, em mudar um pensamento, precisamos ligar todos estes pontos. Pois não basta dizer algo diferente (“eu sou forte”). Mudar um pensamento envolve em perceber a crença “eu sou fraco” e aceitar a parte verdadeira dela (sim, de fato, todos somos fracos em várias coisas), compreender que ela é limitada (sou fraco em algumas coisas, mas não em tudo) e poder torná-la mais real (sou fraco nisto e naquilo, forte nisto e naquilo e algumas coisas vou poder me tornar mais forte e ainda me amar, pois está tudo bem ser assim, é assim que os humanos são).

Como falei anteriormente, não trata, também, de mudar as palavras, cada uma delas precisa ser acompanhada de um sentimento. Aprendemos, então a relaxar e permitir que uma nova perspectiva faça parte de nós. Aprendemos a permitir que novas emoções possam surgir a acolher antigas emoções. Aprendemos, também como nos comportar de acordo com novas percepções e a interpretar o mundo de acordo com isso. Quando tomamos este processo desta forma, envolvemos todas as áreas de nossa vida e não apenas “frases na nossa cabeça”.

Assim sendo, temos uma perspectiva ampla e completa que envolve nossa história presente, passada e futura, temos pensamentos, sentimentos e comportamentos interligados em um todo coerente. Temos um processo e não uma troca de frases. Enfim, dentro disso, temos uma nova perspectiva que nos coloca em uma posição diferente a partir da qual realmente sentimos que nosso “pensamento” mudou. Pois o ato de pensar de forma nenhuma é apenas racional, é uma forma de viver o mundo e viver-se no mundo.

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