• 15 de maio de 2019

Quero me libertar disso!

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– Sim! Eu percebo isso e não quer mais me sentir assim.

– O que você quer?

– Quero me libertar disso.

– E como se prendeu à isso?

– Não sei direito… talvez fui eu quem fez isso, talvez não, mas cansei de ficar presa aqui!

– E como sabe que está presa?

– Porque não consigo sair

– E já tentou?

– Não sei… acho que não…

– E se tentasse, o que você faria?

– Eu não sei.

 

É comum, em terapia, que as pessoas percebam que o sofrimento pelo qual passam possui uma dinâmica. Assim que percebem isso, acreditam que a dinâmica “gera” o sofrimento de forma direta e, por isso, querem “libertar-se” dessa “dinâmica opressora”. Mas o problema é: quem as prendeu à esta dinâmica?

A questão evoca o problema da liberdade. Em resumo, quando se pensa que estamos aprisionados pela dinâmica, deixamos de exercer escolhas. A maneira pela qual se pensa o problema retira da pessoa aquilo que ela mais precisa para fazer mudanças: escolher de forma diferente. Essa percepção também retira de foco algo fundamental: a percepção de que a atual dinâmica também foi criada pela pessoa, por suas próprias escolhas. Perceber isso, longe de culpabilizar a pessoa é dar-lhe força.

Embora seja verdade que os problemas que temos possuem dinâmicas de funcionamento, o fato é que essas dinâmicas não surgiram para nos trazer problemas. Surgiram para nos afastar deles. Assim sendo é fundamental compreender que mesmo uma atitude disfuncional serve para ajudar o indivíduo de alguma maneira. Em outras palavras, podemos dizer que existe uma intenção positiva por detrás destes comportamentos. Perceber isso é importante para reconectar a pessoa com suas motivações, com seu sistema de orientação no mundo e com sua capacidade de escolher.

A liberdade que a pessoa procura está alicerçada nisso. Quando ela percebe que escolheu e que, portanto, pode escolher novamente, uma força surge. Obviamente, fazer mudanças não é uma escolha fácil ou rápida, porém sem esta atitude será ainda mais difícil para a pessoa mudar. Assim sendo, não nos libertamos do problema e sua dinâmica, pelo contrário, buscamos compreender o que nos motivou realizar as escolhas que fizemos, como executamos isso, o que nos motiva a fazer isso desta forma, o que é importante mudar nisso e como podemos fazê-lo.

Com isso, evitamos, por exemplo, situações comuns em que a pessoa, diante da possibilidade de mudar, recua dizendo “não sei se vou conseguir”. Este tipo de declaração comum se deve pelo fato de que o contexto no qual as atuais escolhas da pessoa foram feitas não está plenamente compreendido. Ela já é livre em relação a suas escolhas. É impossível alguém se prender, se a pessoa o faz, não é prisão, é escolha. Assim sendo, a “chave da prisão” é na verdade a própria escolha que a colocou lá.

Aceitar nossas escolhas, mesmo aquelas feitas há muito tempo, com baixo poder de decisão é importante não para nos gerar culpa, mas para nos dar força e poder de influenciar o nosso comportamento, pensamentos e crenças. Não precisamos jogar nada fora, pelo contrário, isso seria inadequado. Precisamos, sim, aprender a perceber e usar de uma forma evolutiva aquilo que temos, desenvolver o que precisamos a mais e, com isso, seguir adiante.

 

 

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