• 29 de julho de 2020

    A riqueza

    – É que estou me planejando para ganhar isso, mas não sei…

    – Não sabe o que?

    – Eu já estive bem perto uma vez… não deu certo.

    – O negócio ou você no negócio?

    – É… boa pergunta… eu poderia falar que foi o negócio, mas o certo é que eu não… não estava mais lá.

    – Sim, enriquecer assusta não é?

    – É… nossa, nunca tinha pensado nisso… mas acho que foi como me senti.

    – Ok, vamos olhar para este medo que lhe dá da noção de ser rico.

     

    Refletimos sobre a riqueza. O que pensamos sobre ela nos mostra o enquadre dentro do qual vamos viver o tema em nossas vidas. Não se trata aqui do certo e verdadeiro ou do errado e falso, mas sim da “maneira pela qual”, vamos viver. O fato é perceber qual a nossa forma de nos relacionarmos com a riqueza, afinal de contas, isso ajuda a definir a possibilidade de criamos ela em nossas vidas.

    Muitas pessoas zombam dessa ideia. Entendem que tudo o que é necessário é saber ganhar o dinheiro ou ter sorte de nascer rico. É óbvio que não excluo isso. Saber ganhar dinheiro faz parte, porém é interessante o quanto que pessoas que “sabem” como fazê-lo também adoram dinheiro. Seria isso mera coincidência? Não. Em geral, pessoas “bem sucedidas” em algo também detém um profundo interesse nela. De outro lado, também é de conhecimento geral, que muitas pessoas sabem ganhar, mas não conseguem manter o dinheiro ou que muitas, na medida em que avançam, se sabotam? Seria isso coincidência? Também não.

    O problema é que acreditamos em uma falácia. Achamos que as pessoas são puramente racionais quando se trata de dinheiro. Em minha vida clínica nunca vi essa lógica nem ao menos próxima do real. Alexander Elder, renomado operador de bolsa de valores concorda com este ponto de vista. Em sua perspectiva, não somos nada racionais e compreender isso é fundamental para compreender o mercado de ações. Porque falei disso? Porque se até no mercado de ações o conhecimento sobre nossas emoções é fundamental para vencer, é óbvio que as emoções guiam nosso comportamento financeiro e não o racional.

    Isso não quer dizer que olhar através da lógica não seja interessante ou importante, mas que isso está fundamentado nas emoções e não ao contrário. Dito isso, quando pensamos em riqueza, no que pensamos? “Ricos não vão para o céu”, “rico é ladrão”, “riqueza exterior mostra o interior”? Não estou querendo encontrar o certo? Até porque não afirmo que é certo ou errado enriquecer. Apenas atento, aqui, para a sua relação com o dinheiro. Qual é ela? O dinheiro é um problema em sua vida ou solução? Um orgulho ou culpa? Olhar para isso é fundamental para entender o que você faz em sua vida financeira.

    É importante pensar no que aprendemos com nossa família, se seguimos ou não este aprendizado. Também é importante olhar para o que queremos fazer com o dinheiro. As ações que desejamos ter podem entrar em conflito com valores internos. Isso pode parecer estranho, porém, muitos querem muito dinheiro para se aposentar e “curtir a vida”, porém, algo dentro deles deseja trabalhar. Ou ainda: algo dentro deles entende que isso é um desejo mais pela morte do que para a aposentadoria e se rebela contra isso. Uma forma de auto sabotagem que, como já falei em outro post, é uma proteção disfarçada.

    Isso tudo para fechar com a noção de “abrir-se”. Abrir-se para algo é tornar-se vulnerável para a maneira pela qual criamos relação ao estar em contato com este “algo”. No caso da riqueza isso é importante. Rico não se trata apenas de “quantidade”, mas trata, também de “quantidade do que”. Ser rico é ter em abundância, porém esta abundância é de algo específico. A riqueza econômica fala do dinheiro, posse ou influência financeira. Ela também é importante. Porém a questão é: ao olhar para isso, como você se sente? Como a ideia de riqueza lhe afeta? Deixo o leitor com isso.

    Abraço

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