• 6 de novembro de 2020

    Não gostar de atividade física é não gostar do próprio corpo

    – Mas eu não tenho motivação para ir na academia!

    – Concordo.

    – O que eu faço então?

    – Bem, quem disse que você tem que ir para a academia?

    – Como assim?

    – Veja é importante fazer uma atividade física, mas o que é isso? Apenas academia? Pode ser outra coisa não?

    – Bom… eu gosto de andar pra pensar na vida.

    – Isso já é um começo.

    O que a atividade física tem a ver com gostar do próprio corpo? Afinal de contas, ninguém é obrigado a gostar de academia não é? É. Porém, associar “atividade física” apenas com academia já é uma maneira de perceber que o conhecimento corporal é pequeno. Atividade física é algo muito além de academia e se você se abrir para isso, vai aprender a adorar ter uma.

    É um fato que observo na clínica há muito tempo. Em geral quando “não gostamos” de atividade física, nosso contato com o corpo que somos é pequeno. E isso é algo importante de se dizer. O corpo é movimento. Quando olhamos um organismo plenamente parado, ele está morto. Toda vida está em constante movimento, nossos órgãos internos, nosso cérebro, nossos músculos estão o tempo todo fazendo movimentos. Esse é um nível de atividade que muitos de nós não prestam atenção.

    Perceber os pequenos movimentos que nos trazem prazer espontaneamente, como se espreguiçar é algo interessante. Nem todos se espreguiçam da mesma maneira. São movimentos diferentes e, com o avanço do tempo, esses movimentos tendem a se diferenciar. Tomar a percepção desses movimentos, da maneira pela qual buscamos aconchego e o que sentimos quando estamos entediados é algo importante: qual o movimento que seu corpo pede quando está muito tempo parado?

    A questão é que a “atividade física”, nasce dos nossos movimentos naturais. Entrar em contato com esses movimentos nos ajuda a entender qual a atividade que será mais interessante para nós. Com isso é que se escolhe algo para fazer. A diferença entre o movimento espontâneo e a atividade física pode ser dimensionada pela frequência e compromisso. A atividade física funciona melhor quando é formalizada em torno de uma rotina. Agora o interessante é que esta atividade faça parte da rotina dos movimentos que já temos em nós.

    Algumas pessoas, por exemplo, gostam de fazer exercícios pela manhã enquanto outros preferem a noite. Isso mostra certa dose de conhecimento dos ritmos do corpo. Alguns preferem atividade pesada enquanto outros mais leve. A questão é sempre se você consegue perceber seu corpo e entender como esse corpo deseja mover-se. Assim, formaliza-se algo que o corpo já quer e já é. Boa parte das pessoas sabota seus processos de atividade. Literalmente dizem “não” para os movimentos do corpo e se jogam na cama novamente (o que é outro “movimento”).

    Tome uma sala na qual você pode se mover livremente. Fique de pé e apenas perceba seu corpo. Comece a deixar que ele faça algum movimento e se entregue a isso. Logo você vai entrar em contato com o ritmo e disposição de seu corpo. Com isso você olha para as atividades disponíveis e pensa no que quer fazer, naquilo que melhor se adapta ao que você já deseja fazer. E isso não trata de ser atleta ou algo do gênero, nada disso. É apenas o corpo biológico buscando por algo que ele sempre busca: mover-se no mundo.

     

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