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	<title>Arquivos Infelicidade - Akim Neto Psicólogo Clínico</title>
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		<title>Infelicidade: um crime?</title>
		<link>https://akimneto.com.br/2013/05/15/infelicidade-um-crime/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[psicoakim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2013 11:59:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gotas]]></category>
		<category><![CDATA[Akim Rohula Neto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Eu me sinto muito mal sabe? &#8211; Porque? &#8211; Porque eu tenho tudo o que uma pessoa poderia querer, mas não me sinto feliz! &#8211; Hum&#8230; você sente-se mal por não ser feliz e supostamente ter que ser assim? &#8211; É&#8230; e não é supostamente&#8230; eu tenho tudo sabe? &#8211; Sei&#8230; mas me parece &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2013/05/15/infelicidade-um-crime/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">Infelicidade: um crime?</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Eu me sinto muito mal sabe?</p>
<p>&#8211; Porque?</p>
<p>&#8211; Porque eu tenho tudo o que uma pessoa poderia querer, mas não me sinto feliz!</p>
<p>&#8211; Hum&#8230; você sente-se mal por não ser feliz e supostamente ter que ser assim?</p>
<p>&#8211; É&#8230; e não é supostamente&#8230; eu tenho tudo sabe?</p>
<p>&#8211; Sei&#8230; mas me parece que esse &#8220;tudo&#8221; para você não é o que realmente te traz felicidade.</p>
<p>&#8211; (silencio)</p>
<p>&#8211; Você realmente crê que você deveria ser feliz por causa de tudo isso que você tem?</p>
<p>&#8211; Eu não sei&#8230; é confuso&#8230; eu gosto de todas as coisas que eu tenho e da grana que eu posso usar, mas sei lá&#8230; às vezes parece que falta alguma coisa&#8230; não é que eu seja mal-agradecido&#8230; mas é que tem algo além disso tudo que é o que eu quero, você me entende?</p>
<p>&#8211; Eu entendo, mas e você: se permite viver esta percepção que você tem da sua vida?</p>
<p>&#8211; Eu não sei&#8230; acho que não. Ninguém entende quando eu digo isso, na verdade até tiram sarro: &#8220;ah cara, você tem de tudo, não pode ser infeliz!&#8221;</p>
<p>&#8211; Pois é&#8230; que tal se permitir o direito de ser infeliz apesar do que você tem?</p>
<p>&#8211; Ai&#8230; seria difícil assumir isso&#8230;</p>
<p>&#8211; Para quem? Para você ou para os outros?</p>
<p>&#8211; Para os outros eu acho&#8230; Para mim é um pouco, porque daí eu vou ter que bater mais de frente ainda: uma de falar que eu estou infeliz e outra de buscar a minha felicidade com outras coisas.</p>
<p>&#8211; Pois é&#8230; mas e a &#8220;recompensa&#8221; de viver de forma autêntica, será que não conta?</p>
<p>&#8211; É&#8230;</p>
<p>Nossa sociedade de consumidores possui uma exigência: seja feliz. E se você não for?</p>
<p>A infelicidade possui hoje uma sentença criminal, ou seja, o infeliz na nossa sociedade é um pária, alguém que &#8220;deu errado&#8221; e que, por esta razão, está cometendo um certo tipo de &#8220;crime&#8221; contra a sociedade na qual vive. A situação se torna ainda mais dramática quando &#8220;o infeliz&#8221; possui recursos e bens, este não pode &#8220;mesmo&#8221; ser infeliz ou sentir esta emoção &#8211; como se dinheiro e posses fossem vacinas contra a infelicidade.</p>
<p>Existe dois temas importantes, à meu ver, um deles é uma questão pessoal: da pessoa assumir a vida que deseja buscar, verificar a possibilidade de sua realização e então buscar os recursos necessários para criá-la. A outra, um pouco mais profunda e difícil de perceber é a questão social.</p>
<p>Sobre a questão social: o consumo é a marca registrada de nossa sociedade, mas dizer isso apenas é muito superficial, pois existe todo uma cultura por detrás disto que embasa esta sociedade. A cultura consumista está baseada na livre escolha, ou seja, na crença de que todas as pessoas são livres para escolherem e criarem os seus caminhos tal como desejam. Esta crença não encontra um respaldo direto e concreto no mundo real, no entanto é tido como se fosse possível. Para alcançar estas metas o que a pessoa deve fazer? Buscar as ferramentas: as coisas que ela vai comprar para realizar o seu &#8220;sonho&#8221; de &#8220;ser quem é&#8221;, de construir um &#8220;eu&#8221;. Daí que, segundo a cultura consumista, se &#8220;querer é poder&#8221; e o &#8220;poder&#8221; é vendido em lojas e por experts, porque não ser feliz? O infeliz é um criminoso duplo: ele vai contra as normas sociais e não cria para si o que deveria estar criando, ou seja, é infeliz e incapaz. Esta incapacidade é que é o seu crime, pois, nos moldes da cultura consumista só é incapaz &#8220;quem quer&#8221;. Ao refletirmos desta forma nos tornamos cegos aos inúmeros desafios que todos passamos na busca pela felicidade: defini-la (o que é felicidade para mim?), saber como desfrutá-la, conseguir manter o seu posicionamento perante aos outros e ainda lidar com a sua evolução, pois a felicidade hoje pode ser acionada por algo diferente do que será amanhã, a felicidade não é fixa e permanente, exige trabalho e dedicação. Desta forma, quando criminalização uma pessoa por um sentimento socialmente não aceito, tratando-o (a pessoa e o sentimento) como algo &#8220;nocivo&#8221; ou &#8220;errado&#8221; (você tem que ser feliz!) estamos, na verdade, empurrando para mais longe a possibilidade desta pessoa realmente encontrar a sua felicidade.</p>
<p>Sobre a questão pessoal: é importante que a pessoa possa sentir-se livre para sentir o que está sentindo. Aceitar um sentimento é o primeiro passo para lidar com ele. Enquanto você não pode aceitar uma emoção, ela não pode existir e se não pode existir como é que vou pensar sobre ela e buscar alternativas? Após aceitar é importante enfrentar o que se está sentido de forma adequada. No caso acima, por exemplo, a pessoa &#8220;tinha tudo&#8221;, porém desde quando que &#8220;ter tudo&#8221; = felicidade? Quem disse isso? As pesquisas mostram que a relação entre dinheiro e felicidade é muito frágil: ele ajuda até um certo ponto (o ponto da saciação das necessidades básicas e daí em diante ele tem pouca influência sobre a felicidade). Quando ele conseguiu enfrentar a sua emoção e dizer que não estava feliz conseguiu começar a pensar no que lhe traria felicidade, este rapaz tinha uma mentalidade mais criativa e empreendedora: era um fazedor, um produtor e, portanto, passar tardes ocioso, sem fazer nada, apenas seguindo o papel de &#8220;filho de pai rico&#8221; gastando grana com baladas e amigos não lhe era suficiente. Quando percebeu isso, interessou-se por um curso de fotografia e começou a fazer algumas fotos, logo estava com um trabalho nesta área o qual a família era contra porque &#8220;era muito pouco&#8221; para ele, mais adiante o negócio expandiu e ele conseguiu sentir-se muito feliz com o que estava fazendo e com o rumo que estava dando à sua vida.</p>
<p>Gostaria de deixar claro que eu não faço odes à infelicidade, no entanto, também não acho que ela é um crime ou algo que deva ser &#8220;combatido&#8221;, pelo contrário: é uma emoção humana e como tal mereço o seu lugar e direito à existir. Todas as emoções são &#8220;alarmes&#8221; que nos dizem de nós mesmos, são a forma mais rápida e poderosa de percebemos algo que está acontecendo com a gente e reagir, rapidamente à isso.</p>
<p>Abraço</p>
<p>Visite nosso site: www.akimpsicologo.com.br</p>
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