(Depois de alguns minutos de sessão na qual o cliente estava relatando suas melhoras)
– Então Akim, eu queria falar uma coisa com você, mas tô meio assim.
– Diga lá.
– É que… sabe… que nem hoje, eu te falei dessas coisas todas… estou sentindo que estou bem melhor sabe?
– Ô, com certeza, está sim. À olhos vistos.
– Obrigado, pois é e daí assim, tipo, já faz algum tempo que essas coisas estão boas, me sinto sabendo o que fazer, como fazer, me sinto bem diferente já, quando piso na bola sei como concertar, não acha?
– Concordo contigo, quando você me relata algo que fez que não foi bom pra ti logo em seguida já tem me contado como concertou a situação ou o que fez com a emoção gerada.
– Pois é… sabe Akim… estou pensando em parar com a terapia!
– Mas que beleza!!
– Beleza é? (Risos) Que bom que você acha.
– Sim, porque você não está me relatando que quer parar uma terapia, mas sim que já aprendeu – e eu concordo contigo – o que se propôs a aprender neste tempo de terapia. Você, de fato, está muito mais competente do que quando chegou, está sabendo como lidar com as situações, um expert!
– (Risos) Ah, obrigado, você acha então que não tem problema de eu parar?
– Nenhum, estás parando pelo motivo certo: porque aprendeu o que precisava e enquanto seu terapeuta também percebi isso através dos seus relatos. Está de parabéns pelo seu processo, pelos resultados e por toda a mudança que você fez em ti.
– Que bom ouvir isso de você, fico feliz e aliviado.
– Tens todo o merecimento por isso! Aproveite!
“Terminar a terapia” sempre é um tema de tabu nos consultórios.
De uma forma muito pragmática a terapia que termina assim envolve um processo como esse que descrevi; no qual a pessoa fez as mudanças que desejava e sente-se competente para lidar com a manutenção dessa mudança.
Terapias que terminam por medo em envolver-se com emoções, memórias ou processos que podem causar dor ou ansiedade ao cliente, por mal-entendidos entre o cliente e o terapeuta, por simples negligência ou por fatores como mudança de cidade e falta de recursos para manter a terapia não envolvem o aprendizado da mudança o que pode ser prejudicial ao cliente que vai voltar à sua rotina sem os recursos necessários para realizar mudanças voltando, assim, aos mesmos problemas mais cedo ou mais tarde. Não manter a terapia é sempre uma escolha por esta razão não julgamos isso de forma alguma.
Mas acabar com o aval dado por si próprio de “expert” naquelas situações que atrapalhavam a vida da pessoa é extasiante. Na verdade muitas linhas da psicologia encaram o final do processo de terapia desta forma, praticamente uma “formatura” na qual a pessoa aprendeu muitas lições e agora sente-se “formada” em si própria e nos problemas que agora sabe resolver. Para um terapeuta esse momento é muito gratificante e ficamos felizes de concordar com o cliente quando ele chega nesse momento!
Abraço
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