• 17 de outubro de 2012

    O amor e o medo

    (Esposa) – Eu só queria que ele assim… me respeitasse sabe?

    (Esposo) – Mas eu respeito você meu amor! Tenho uma super consideração por você!

    (Ambos se olham e ficam em silêncio durante alguns segundos)

    (Akim) – Que interessante não é? O que um quer o outro está querendo dar, mas me parece que a entrega não consegue ser feita não?

    (Ambos) – Pois é!

    (Akim) – Desde que começamos o trabalho aqui, percebo que cada um de vocês senta em um lado do sofá, existe um limite bem definido entre vocês dois aqui (aponto com a mão o espaço entre os dois).

    (Eles olham para o espaço, olham-se e dão uma risada suave)

    (Akim) – Será que este espaço pode estar atrapalhando a comunicação de vocês? Será que quando um fala alguma coisa ela “se transforma” ao longo deste espaço e chega do outro lado diferente?

    (Esposa) – Eu acho que sim Akim, para mim, pelo menos, faz todo o sentido.

    (Esposo) – Nunca tinha pensado nisso desse jeito, mas não tenho o que dizer ao contrário… de fato, acho que não consigo mostrar para ela o quanto ela é importante para mim.

    (Akim) – E o que será que está atrapalhando a comunicação então?

    (Eles se olham e ela vira e diz): “Eu acho que, para mim, é medo”.

    (Ele faz que “sim” com a cabeça e dá uma leve olhada para o lado, ela baixa a cabeça. Lentamente eles se olham “de canto de olho” e dão um sorriso suave)

    (Akim) – Eu concordo com vocês… acho que estes medos que não são ditos – nem mesmo de vocês para vocês – acabam criando um abismo entre vocês, mesmo tendo amor de um lado e de outro. Que tal começarmos a tentar construir uma ponte nesse buraco?

    (Ambos acenam “que sim” com a cabeça)

    Muitas pessoas entendem que o oposto de amor é raiva ou ódio. Em meus atendimentos tenho visto que seu oposto está mais para o medo do que para a raiva.

    O medo paralisa a ação, desvirtua a comunicação e acaba por criar exatamente o que ele mais teme. Medo desgasta, empobrece a relação é ele quem, de fato, retira a espontaneidade e robotiza as pessoas. Ou então começa – para se “proteger” – a agir de maneira agressiva com o outro, responder-lhe com agressões, insultos e ironia. Nesse momento o respeito começa a ser quebrado e a sensação de “desamor” começa a se instalar.

    Daí para diante viver à dois é complicado e doloroso. A sensação de estar “pisando em ovos” é constante. Essa dinâmica acentua o medo ainda mais e temos, então, um ciclo vicioso e doloroso para os dois – e, quando é o caso, para os filhos, amigos e parentes.

    Vencer o medo e aumentar a auto-estima são fatores fundamentais para começar a dizer o que precisa e aprender a cuidar do outro, de si e da relação de uma maneira a criar um ambiente que consiga acolher as emoções sem julgá-las e, ao mesmo tempo, dando um “encaminhamento” para o que acontece entre os dois.

    Quando podemos expressar livre e responsavelmente as emoções começamos a criar um ambiente no qual o amor possa florescer e que o medo seja acolhido e transformado em conhecimento e profundidade no casal.

    Abraço

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