• 23 de novembro de 2012

    Responsabilidade demais cansa

    – Pois é, percebo que sou o centro de tudo lá em casa sabe?

    – Como assim?

    – Se eu não me mexo, nada acontece. Eu tenho que pensar tudo por todos o tempo todo.

    – “Tudo por todos o tempo todo”? Puxa só de pensar nisso me deu uma canseira!

    – É, pois é, imagina então viver isso todos os dias.

    – Complicado… mas me conte: como você faz para assumir todas essas responsabilidades?

    – Como assim?

    – Ora, você está me dizendo que pensa tudo por todos o tempo todo. Obviamente tem coisas nisso tudo que não são de sua responsabilidade não é?

    – É, eu até meio que sei disso…

    – No entanto, você pega essa responsabilidade como sua ainda. Estou interessado em saber como você faz isso.

    – Eu acho que eu quero ver todo mundo bem sabe? Cuidar de todos.

    – O que você está me dizendo é que você gosta de ver todos bem e quer cuidar de todos e desta forma você assume responsabilidades que não são suas?

    – Sim, acho que é isso.

    – Entendo, mas me conte: será que a única forma de cuidar é assumir responsabilidades pelos outros?

    – Hum… não sei ao certo… me parece que sim, mas acho que não. Faz sentido?

    – Claro que faz. Você sempre teve esta experiência, no entanto, alguma coisa dentro de ti diz: será que é só assim?

    – É… às vezes me pergunto se não estou exagerando sabe?

    – Sei, quando você se pergunta isso?

    – Quando eu falo para as pessoas fazerem coisas que eu sei que elas sabem que devem fazer.

    – Perfeito, um ótimo exemplo, neste momento, quando você diz para a pessoa fazer algo que você mesmo sabe que ela sabe fazer você está cuidando dela?

    – Hum… acho que não, eles até reclamam comigo que eu sou chato.

    – E deve ficar mesmo, porque o “cuidar” nesse caso vira uma “cobrança”.

    – Preciso mudar isso sabe? Até para eu me aliviar mais, é muito desgastante pensar o tempo todo pelos outros.

    – Com certeza! Vamos lá: em primeiro lugar eu quero que você perceba ao longo desta semana quando você assume responsabilidades que não são suas e então se pergunte: o que está me motivando a fazer isso? Se não fizer, o que vai acontecer?

    – Tá ok.

    – Isso vai te ajudar a entender quando você precisa cuidar e quando você não precisa cuidar e além disso vai nos dar uma noção bem clara do que te motiva a fazer isso certo?

    – Ok, vou fazer.

     

    Pessoas que são responsáveis são aquelas que conseguem arranjar uma resposta adequada para resolver um problema, alcançar uma meta ou ter determinada experiência. Responsabilidade está intimamente ligada ao que quero fazer, tenho que ter respostas para alcançar o que preciso, quero ou desejo.

    Existem pessoas que tomam para si a necessidade de gerar respostas para problemas, desejos, metas que não são delas. E fazem isso de uma forma rígida, contínua e sem discriminação de situação ou pessoa. Neste caso a pessoa se torna “super” responsável. “Super” no sentido que está sendo mais do que o preciso, além da conta. Geralmente a pessoa tem uma boa intenção por detrás disso, como no caso acima, no entanto, esta boa intenção não se manifesta da forma mais adequada. Quando assumimos a responsabilidade pelos outros de forma crônica, estamos, na verdade, invadindo um território que não é nosso. Isso desgasta a relação dos dois lados e geralmente gera muita mágoa: de um lado quem ajuda sente-se sempre menosprezado e o ajudado sente-se pressionado.

    O início da solução é compreender que motivos fazem a pessoa se responsabilizar pelos outros, podem ser vários: medo, desejo de cuidar, necessidade de ser aceito e encorajado, carência afetiva. Começamos a perceber isso quando nos perguntamos o que está nos motivando a fazer o que estamos fazendo e o que aconteceria se eu não fizesse isso. Ao se perguntar isso você começa a compreender o medo que está alicerçado no comportamento e como você representa esse comportamento para si próprio. Muitas pessoas querem ser bons pais, por exemplo, e desejam ser reconhecidos por isso e agem superprotegendo os filhos, a superproteção tem o intuito de proteger, mostrar-se um bom pai e ser reconhecido mais tarde, não fazê-lo implica em ser um pai ruim e não ser reconhecido. Aí começamos a perguntar: será esta forma -superproteção – a única forma de ser um bom pai? De que outras formas/ fontes você pode buscar reconhecimento? Que tal você aprender a se auto-reconhecer?

    Tudo o que fazemos busca uma resposta, muitas vezes temos que nos perguntar se o que estamos fazendo está nos trazendo a resposta que desejamos.

    O segundo momento trata de aprender as competências necessárias para adequar a responsabilidade e sobre como conseguir – de outra forma – o que a pessoa deseja. Mas isso é para outra gotinha.

    Abraço

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