• 25 de setembro de 2013

    Felicidade Ansiosa

    – Estou muito feliz hoje

    – Oba! E como está sendo isso?

    – Eu estou me sentindo meio estranho com isso na verdade.

    – Estranho? Como assim?

    – É que… não sei… parece que não é muito certo eu ficar feliz sabe?

    – Hum… entendo, e como você chegou nessa conclusão?

    – Não sei ao certo, mas fico incomodado quando estou me sentindo bem.

    – Você acha que você merece sentir-se feliz?

    – (silêncio) acho que não…

     

    Nathaniel Branden é um excelente autor na área da auto-estima, um dos temas que ele aborda é a “felicidade ansiosa”, ou seja, a pessoa que ao sentir-se feliz ao mesmo tempo fica incomodada com a felicidade que sente, muitas vezes isso é um problema com a auto-estima dela.

     

    Quando pergunto ao cliente se ele “merece” sentir-se feliz estou checando este elemento, pois, em geral, a pessoa que sente esta felicidade ansiosa possui um problema no entendimento de merecer ser feliz. É alguém que, por vários motivos, não consegue “se convencer” de que merece ser feliz e sentir-se bem consigo mesmo. Muitas vezes a pessoa consegue perceber o direito do ser humano em ser feliz, porém não consegue realizar o mesmo exercício para si.

    A falha em perceber que merece tem a ver com o nosso auto-respeito. Este é gerado quando seguimos de forma adequada as regras que criamos para nós mesmos, é quando temos uma avaliação positiva sobre nós mesmos. Vejo em consultório dois problemas básicos com este aspecto da vida das pessoas: quando não conseguem seguir suas regras e quando as regras não são muito adequadas para o mundo – ou, por vezes não foram criadas pela própria pessoa.

     

    Quando o problema está na pessoa não seguir as ideias e fundamentos que julga adequado à sua própria vida é importante que ela comece a fazer o movimento contrário e buscar identificar e valorizar os seus desejos e ideais para que, com isso, ela consiga seguir suas regras. Algumas vezes, também, é uma questão da pessoa desenvolver novas competências que a auxiliem a expressar quem é.

    Quando o problema está na inadequação das regras temos que buscar entender o real valor e a origem da ideia e procurar flexibilizá-la para que ela seja mais adequada à pessoa, seus desejos e ao mundo no qual ela vive. Esta flexibilização é importante de ser atingida para que a pessoa possa se libertar da ideia de que é culpada pelo próprio infortúnio ou de que merece sentir dor, pois, de alguma forma, ela é uma “criminosa” para ela mesma.

     

    Trabalhar com estes elementos ajuda a pessoa a construir uma sensação de merecer ser feliz e poder se entregar à felicidade. Obviamente existem vários aspectos que necessitam ser trabalhados junto com estes para que o processo se desenrole de forma adequada, porém o cerne é a melhora da auto-estima e a sensação de orgulho e satisfação com as suas obras e com a sua felicidade ao invés da sensação de felicidade ansiosa.

    Abraço

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