• 22 de novembro de 2013

    Qualidades

    – Mas eu não entendo Akim, para que falar sobre o que eu faço bem? Não tenho que falar da parte ruim para melhorar?

    – Claro que sim e vamos falar sobre isso, mas faça um esforço, me conte sobre o que você é bom.

    – (Silêncio) É difícil sabe? Eu não sei direito falar sobre isso.

    – Sim, é bem mais fácil para você falar sobre o que você não gosta em você não é mesmo?

    – Sim.

    – Mas se você só olha para isso o tempo todo, como você se vê enquanto pessoa?

    – Um fracassado.

    – E você gosta de se ver assim?

    – Não, óbvio.

    – E como você reage à esse jeito de se ver?

    – Eu me escondo né? Foi o que vimos semana passada.

    – Exato, você se esconde e não quer que ninguém veja isso, fica na defensiva.

    – Sim.

    – E como você se defende?

    – Fugindo.

    – Que é a parte “ruim” não é mesmo?

    – É.

    – E se você tivesse coisas boas para falar sobre você, será que precisaria se esconder tanto? Ou fugir tanto?

    – Acho que não… talvez eu enfrentasse mais as coisas… se eu acreditasse nisso…

    – Exato…

    Água parada mata.

    Sempre digo esta frase para meus clientes. Uma qualidade não reconhecida e não empregada causa tanto – ou mais – dano que um “defeito”. A questão é que culturalmente somos educados para tentar “melhorar” aprimorando nossos defeitos ao invés de “ir além” utilizando nossas qualidades.

    É comum as pessoas se apegarem aos defeitos e não usarem suas forças e virtudes em detrimento disto o que é um grande erro. Ora, se a pessoa é ótima em matemática, por exemplo, mas não é tão boa em língua portuguesa porque ela deve inutilizar seu conhecimento em matemática por causa da falta de conhecimento em língua portuguesa? Não deve, pelo contrário, as facilidades devem ser utilizadas e comemoradas.

    A ideia comum é que temos que ter um ser humano completo: o que adianta tirar 10 em matemática e 5 em línguas? É o argumento comum. Bem, à meu ver adianta muito afinal de contas existem inúmeras situações – e profissões – nas quais a matemática é muito mais importante do que o conhecimento em línguas. Além disso nenhuma pessoa torna-se excelente em tudo, em geral, tendemos a buscar mais conhecimento sobre algo que nos é importante.

    O mesmo vale para as forças e virtudes humanas. O ser não precisa ser excelente em todas as virtudes existentes, ele pode viver uma vida muito rica e completa com poucas – os especialistas falam em 5. O grande problema é que ao não usarmos nossas virtudes deixamos de expressar quem somos, ao fazê-lo não valorizamos o nosso eu e com isso destruímos a auto-estima e isso pode causar graves problemas.

    Me lembro de um rapaz que atendi: ele era muito bom escritor, porém não era bom em matemática. O pai era o contrário, porém a cobrança – por motivos óbvios – recaia sobre o estudo da matemática. Durante anos este rapaz se culpou por não ser bom em matemática o que lhe fazia não ter tempo para se ocupar em escrever e valorizar o que escrevia. Durante sua terapia incentivei-o a escrever e parar de se ocupar tanto da culpa por não ser bom em matemática. Algum tempo depois ele escreveu um livro e com o sucesso resolveu iniciar outro projeto, sentia-se muito feliz e integrado consigo por estar  fazendo “algo que sempre deveria ter feito”.

    Cada ser humano possui as suas qualidades e partes suas que não são tão bem desenvolvidas. Tão importante quanto melhorar algumas das partes não desenvolvidas para melhorar a qualidade de vida é se dar a qualidade de vida com base no que a pessoa já faz bem, nas qualidades que ela já possui. Não fazer isso causa dois problemas: ter que segurar as qualidades dentro de si e se culpar por “não ser tão bom em…”.

    Quais são as suas qualidades, forças e virtudes? Como você tem usado elas no seu trabalho, nos seus relacionamentos, na sua vida em geral?

    Não deixe o que existe de bom dentro de você morrer ou ficar jogado de lado, cada parte de si que você deixa de lado é uma parte da sua felicidade que morre dentro de você.

    Abraço

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