- Não sei mais se estou querendo fazer isso…
-
Ah é? Que coisa, você estava tão empolgado.
-
Pois é…
-
O que você está sentindo em relação à tua escolha?
-
Eu estou meio… com preguiça eu acho sabe? Não sei se vai ser tão legal.
-
Entendo… o que será que está motivando essa preguiça?
-
E preguiça tem motivação?
-
Tem… me diga assim ó: qual a dificuldade você está enfrentando?
-
Nossa… bem sei lá… sabe que eu vou ter que lidar muito com pessoas né?
-
Sim, qual o problema?
-
Esse… não gosto muito disso.
-
E não pode aprender a lidar com isso ao invés de largar?
-
É…
Sempre digo que mudanças trazem mudanças. Às vezes as pessoas não executam mudanças em suas vidas não porque não sabem o que querem, mas sim porque não querem ou não sabem enfrentar as mudanças que sua mudança irá trazer.
Frente à pequenas mudanças que por vezes precisam fazer as pessoas acabam desistindo de suas escolhas. É importante desenvolver critérios bem definidos para saber quando realmente vale à pena abdicar de uma escolha feita em detrimento de uma mudança que você precisará fazer para sustentá-la. Em geral, no entanto, esta escolha não trata apenas de fatores como aquisição de comportamentos novos, ela também pode ter relação com processos inconscientes da pessoa que a impedem de se haver com temas que ela não consegue sustentar sozinha.
Um exemplo comum tem a ver com não perder o “conforto da casa dos pais” que é um substituto muito interessante para a relação de dependência que se tem com os mesmos pais. Em outras palavras, a pessoa que deseja sair de casa, mas não o faz porque não quer começar a lavar sua roupa e fazer sua comida – perder o aconchego do lar – pode estar falando, na verdade, de como ela é dependente de seus pais e da relação que tem com eles.
Desta maneira além de aprender a lavar, passar, fazer comida e cuidar da casa ela também irá ter que se haver com o rompimento da relação dependente e da sua posição de dependência em relação à seus pais. A dependência é antes de mais nada um posicionamento psíquico, ou seja, a pessoa se enxerga como dependente e se coloca desta maneira nas suas relações com as pessoas e consigo mesmo.
Perceber-se capaz de sustentar suas ideias, posicionamentos e escolhas é algo complicado para a estrutura de dependência. Sempre que ela imagina uma ação no futuro busca por referências de outros que lhe darão suporte ou que vão tentar impedi-la. De uma forma ou de outra ela não consegue se perceber sem este outro na execução de seus propósitos pessoais e isso a impede de ter atitudes simples que irão ajudá-la a resolver seus problemas.
O primeiro desafio é desenvolver seus critérios e aprender a sustentar estes critérios de maneira independente. Aprender a ter uma relação com o outro na qual a pessoa pode sozinha ter definições. Ao perceber-se de maneira independente ela conseguirá também entender que pode ter respostas sozinha e, com isso, enfrentar seus problemas. Este arranjo envolve não apenas a aquisição de comportamentos como já disse, envolve, também, uma mudança na identidade da pessoa que passa a se perceber de maneira distinta de seus pais e pares, desenvolvimento de crenças que apontem para uma resolução individual – algo como “sim, eu posso fazer isso sozinho”, “isso é minha responsabilidade – e junto com isso comportamentos também que são a manifestação de todo este processo interior.
O que realmente tem impedido você de seguir com suas decisões?
Abraço
Visite nosso site: www.akimpsicologo.com.br
- Tags:Akim Rohula Neto, Auto Expressão, Auto-imagem, identidade, incapacidade, Insegurança, Medo, Mudança, Papel na relação, Psicoterapia
