- Mas eu não sei o que fazer!
-
Claro que sabe, acabou de me dizer que acha que o melhor é sair do emprego!
-
Sim, mas…
-
Mas?
-
E se isso não for o certo?
-
Não sei quanto o certo ou errado, o que poderia tornar isso errado?
-
Ah… não sei… sempre fui uma pessoa respeitável no trabalho, agora pego e saio?
-
O problema é o que fazer ou porque fazer então?
-
Não sei… eu não sei como dizer isso para eles.
-
Dizer o que?
-
Que eu já dediquei muito tempo ali no trabalho e agora quero uma vida diferente para mim…
-
O que te impede de dizer algo próximo disso?
-
Eu não sei se tem algo que me impede… estou certo disso, só não sei como fazer entende?
-
Claro… Você conhece alguém que saberia?
-
Um amigo meu… ele é bem desses que sabe dizer o que pensa.
-
Ótimo… como ele faria?
-
(risos) Eu acho que ele simplesmente diria sabe? Pediria um horário com o chefe, diria e pronto.
-
Que tal lhe parece isso?
Dizem que em ciência quando a pergunta está bem feita temos metade do caminho percorrido. Quando fazemos as perguntas certas o nosso cérebro começa a buscar a solução certa, quando fazemos a pergunta errada o cérebro busca soluções que não são úteis.
Muitas vezes meus atendimentos tornam-se apenas uma questão de readequar as perguntas que a pessoa já se faz. Neste sentido é impressionante perceber a enorme diferença que a mudança de uma palavra ou da entonação da frase faz. O exemplo acima deixa isso claro quando eu faço a mudança das palavras “O que”, “como” e “porque”. Cada uma delas leva a pessoa a raciocinar e refletir algo distinto.
Se eu ficasse no “o que devo fazer” estaria conversando com meu cliente sobre o comportamento à ser tomado. Qual deveria ser: calar-se? reprimir a ideia de ter um novo trabalho? falar ao chefe aquilo que deseja? se demitir e começar o novo trabalho? A palavra “o que” se refere ao comportamento, as atitudes que podem/ devem ser empregadas afim de atingir aquilo que a pessoa deseja.
Já a palavra “porque” remete às crenças e aos motivos/valores que vão nortear a ação seja ela qual for. O motivo é importantíssimo assim como os valores que estão sendo usados para se chegar numa conclusão e decisão. Se eles não são sinérgicos é complicado ter uma decisão. Finalmente o “como” faz-nos refletir sobre a maneira pela qual devemos empregar a ação escolhida. Ou seja, existem muitas maneiras de dizer ao seu patrão que você quer sair da empresa: gentil, misterioso, furioso, por escrito, através de um amigo, simplesmente parar de ir à empresa.
Quando você faz uma pergunta adequada a sua mente se abre e a motivação e empolgação voltam à tona. A pergunta certa nos faz refletir na direção correta e ver o problema de uma maneira que percebemos um futuro melhor do que o presente. São aquelas perguntas que nos fazem sorrir, nos empolgar ou dizer “ah, isso”.
As perguntas inadequadas são aquelas nas quais ficamos girando, girando e nunca chegamos numa conclusão diferente ao mesmo tempo em que não resolvemos o problema. Ou seja, são perguntas que não nos ajudam. Muitas pessoas, por exemplo, chegam ao consultório querendo saber o “porque” de um determinado comportamento. Muitas vezes elas já possuem uma noção adequada e querem mais uma! Então mudo o foco e pergunto: como você faz isso? Em que situações? O que ocorre depois? E essas perguntas abrem uma nova maneira de pensar e de ver a situação que ajuda a pessoa a compreender e modificar o seu comportamento.
Que perguntas você tem se feito?
Abraço
Visite nosso site: www.akimpsicologo.com.br
- Tags:Akim Rohula Neto, Aprendizagem, confrontar, conquistas, Emoções, Escolhas, foco, futuro, Habilidades, Mudança, Perguntas, Psicoterapia, Vida
