• 18 de março de 2015

    Reclamando do que?

    Projeção

    Diz um ditado zen que quando o dedo aponta para a lua, o idiota olha o dedo. Esse ditado vale muito para relacionamentos humanos.

    É muito comum que quando alguém aponta um defeito ou reclama de determinada característica do outro não esteja percebendo – assim como o idiota do ditado zen – que está falando de si. Mantém-se preso à imagem negativa que faz da outra pessoa e não se atém ao fato de que se aquilo o incomoda isso é uma questão dele. Jung dizia que tudo aquilo que nos irrita no outro pode nos levar à uma compreensão de nós mesmos. Porém, como proceder, como transformar a raiva que temos do outro, a irritação em auto conhecimento?

    Neste post vou apresentar a maneira pela qual trabalho com isso, não é “a” certa, mas ajudará você. Um primeiro passo é reconhecer a sensação de irritação ou raiva pelo comportamento do outro e desvincular o outro da sensação. Em geral associamos a pessoa à sensação e temos que o outro se torna o responsável pelo que sentimos. Muito embora o que ele fez possa disparar em nós a sensação ele não é o responsável, mas sim a nossa percepção daquilo que ele faz e dele. Então, uma coisa é o que você sente, a outra é a pessoa em si.

    Uma vez feito isso é importante refletir sobre o seu próprio sentimento, ou seja, o que, naquele tipo de comportamento o agride? Aqui temos várias possibilidades. Uma delas é a de que aquilo no outro o agride pelo fato de que você também faz aquilo, ou seja, é algo que a pessoa não gosta em si e faz, mas nega e prefere falar do outro. Um outra vertente desta possibilidade é que ela tem o comportamento nela e não faz porque acha errado ou porque não se permite, então ao ver o comportamento no outro alivia sua tensão interna de desejar agir da mesma maneira.

    Uma outra possibilidade é que a ação do outro faz com que a pessoa tenha que tomar atitudes frente às quais não tem resposta ou não gosta de dar a resposta adequada. É o caso de muito pais que não sabem dar limites, por exemplo. Precisam impôr um limite, mas não gostam de fazer isso – por seus motivos pessoais que podem ser vários também. Assim sendo as atitudes irritam pelo fato de que a pessoa se vê numa situação em que precisa agir e não quer fazê-lo.

    Em outras situações o ato do outro pode render-lhe algo, um status, uma forma de vida, enfim, conquistas que podem ser algo que a pessoa deseja e não tem ou não consegue. Assim a irritação se dá pelo fato de que a vida de quem se irrita não está indo tão bem quanto a do outro e a pessoa se vê inclinada a ter que fazer algo, ou cobrada pelo fato de que “se um consegue, porque eu não consigo”. É possível também que a pessoa se incomode ao ponto de se diminuir frente ao outro e se irrite por não saber como manter a sua auto estima frente à conquista do outro numa área que ela própria não domina.

    Estas são as manifestações mais comuns que encontro em consultório, existem outras e, obviamente, estou resumindo a dinâmica aqui, porém você pode usar estas linhas gerais para fazer uma pesquisa em você e na sua própria terapia também. A partir da tomada de percepção sobre o seu próprio sentimento as perguntas começam a ir na direção de “como agir com você mesmo”. Ou seja, se o outro me incomoda porque eu tenho que tomar uma atitude da qual não gosto, como melhorar minha relação com esta atitude? Se me irrita porque minhas conquistas ainda não chegaram, o que estou fazendo para conquistá-las? Porque preciso me diminuir frente ao desempenho do outro?

    Desta maneira começa-se a olhar o outro, mas responsabilizar a si pelo que sentimos no contato com o outro. Porque fazer isso? Simples, para tornar a sua vida melhor e o seu autoconhecimento maior e mais rico. Quem te irrita?

    Abraço

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