• 23 de março de 2015

    Diferenças

    Respeitando-as-Diferenças-Como-Usar-As-Redes-Sociais-Corretamente-0 (1)

    • Simplesmente não dá para aturar sabe?

    • Sei, é difícil não é?

    • É! Ele faz tudo ao contrário, onde é para ser rápido, demora, onde é para demorar faz rápido… meu… qual é a dele!?

    • Não sei… mas sei que foi ele que te ajudou naquela situação lá do empréstimo que foi enviado errado né?

    • É… ele me ajudou mesmo!

    • Você já percebeu que toda a vez que fala dele, aponta apenas para aquilo que te irrita?

    • Sim.

    • E que você fala exaustivamente sobre isso, descrevendo cada grão de informação sobre um pequeno ponto?

    • Também… faço isso sempre…

    • Sempre?

    • Sempre que vejo algo que é ruim!

    • Ruim ou diferente?

    • Tá… diferente…

    • Gostaria de saber o que iria ocorrer se você pudesse ver o lado “bom” tanto quanto o “ruim”

     

    Acredito que um dos grandes desafios da vida humana é como criar harmonia entre as várias facetas daquilo que os seres humanos vivem. Não se trata de achar uma fórmula sobre como lidar, mas sim do como, em cada dia gerar harmonia.

    A diferença parece ser um dos grandes impeditivos deste processo. Porque? Não por causa das diferenças em si, mas sim pelo fato de como lidamos com elas. Em geral as pessoas tendem a polarizar o mundo em bom e ruim – pode parecer piegas, mas é só você olhar os noticiários do mundo todo, sempre existe este pólo de oposição entre aquilo que faz o mundo um lugar bom em oposição com o que o torna um lugar ruim.

    Esta polarização nos faz ver mais um lado da equação do que o outro e pior: fazemos um julgamento moral sobre toda uma parcela das pessoas. Sempre que há uma generalização – e sim, isso é uma generalização – existe um empobrecimento do modelo de mundo que criamos. Este empobrecimento se dá pelo fato de não levar em consideração que o mesmo resultado pode ser atingido de várias formas e que a partir do mesmo início você pode chegar a lugares diferentes. Chama-se isso de equifinalidade.

    Quando se ignora isso, passa-se a achar que todos que tiveram determinado começo serão de determinada forma. E que todos que estão em determinada situação é porque trilharam o mesmo caminho. Com isso as pessoas perdem de perceber a infinita miríade de possibilidades de comportamentos humanos. E ainda classificam moralmente o caminho que consideram como “errado”. Dito isso é somente guerra o que se segue.

    Foi Milton Santos quem disse: “a força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une”. Esta frase de profunda sabedoria e força me diz o seguinte: ok, somos diferentes, o que temos de igual? Onde existe a possibilidade para que nos aproximemos? Esta é a pergunta que gera harmonia. Ela só pode existir – à meu ver – quando os vários pólos de oposição com os quais vivemos conseguem ser equilibrados dentro de um mesmo conjunto cooperativo.

    De onde tirei isso? De ver as pessoas em meu consultório. Quando elas atingem este ponto em que conseguem aceitar nelas tudo o que há de “certo” e “errado” e começam, ao invés de lutar contra si próprias, a integrar as várias facetas delas mesmas conseguem harmonizar-se. Aprendem seus limites e as funções verdadeiras de seus atos. Aprendem a negociar consigo e com o outro e, principalmente, param ver o outro como um inimigo. Quando se está em paz consigo o outro não é um problema, é só um outro.

    Abraço

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