- Mas Akim eu não sei como que vai ser!
- Eu sei, mas é precisamente este o ponto não é?
- Como assim?
- Você nunca fez isso mesmo, como iria saber como que é?
- Hum… mas me dá medo.
- Claro que dá… e daí?
- Como assim e daí?
- Alguém disse que mudar não envolveria sentir medo?
- É… ninguém disse…
- Ousar significa perder um pouco o controle e estar num lugar e situação que você realmente não conhece… onde você deve ser espontâneo.
- Isso é difícil…
- Sim… mas pense além do medo… ele é uma parte desta experiência… o que tem além dele?
- Tem muita coisa boa que pode acontecer.
- Exato! E essas coisas valem à pena?
- Valem!
“Em outras palavras, deve forçar-se a experimentar outras maneiras de satisfazer seus desejos e necessidades, especificamente negando-se a única reação com que sempre contou.” (Leslie Cameron-Bandler. “Know-How”,SP: Summus, 1991, pg 50)
O ser humano constrói ao longo de sua experiência um modelo de como as coisas são e funcionam. Chamamos isso de “modelo de mundo”. Estes modelos são sempre construídos com base nas experiências e naquilo que a pessoa aprendeu à respeito da experiência. Assim, duas pessoas nunca passam “pela mesma experiência”. À medida em que criamos nossos modelos começamos a funcionar no mundo e a buscar comprovações de que nosso modelo está correto. Organizamos assim não apenas o que pensamos, mas, também, aquilo que captamos do mundo. Ou seja nosso modelo de mundo também organiza a nossa percepção, percebemos aquilo que pensamos que devemos perceber.
Com isso em mente é fácil de compreender que nossas ações também são guiadas pelo nosso modelo de mundo. Assim sendo não apenas aquilo que percebemos, mas as nossas ações refletem uma maneira interna de pensar à nós mesmos e o mundo. Se no meu modelo de mundo as pessoas querem sempre tirar vantagem umas das outras posso assumir uma atitude de defesa contra os outros. Se alguém me diz algo que (eu) não sei avaliar se é falso ou verdadeiro, minha percepção toma esse “detalhe da experiência” como uma tentativa de me enganar e, assim, passo a hostilizar a pessoa, por exemplo, tentando me defender.
Num processo terapêutico, perceber que modelo de mundo temos e como este modelo afeta nossa vida é fundamental para se preparar para ousar. Ou seja, buscar uma nova experiência. E, nesse sentido, fazem-se verdadeiras as palavras de Leslie que coloquei no princípio desta reflexão. É um “forçar-se” porque é ir numa direção que seu modelo de mundo não compreende e, muitas vezes, não concorda. Nesse sentido não é apenas forçar-se, mas entregar-se, também, à novas experiências que podem enriquecer o seu modelo de mundo.
Não se trata de “certo” ou “errado”, mas sim de adequação. Entender que todas as pessoas querem tirar vantagem é uma generalização empobrecedora de relacionamentos. No entanto, isso não significa que existem pessoas com esta conduta. Assim sendo, ao invés de categorizar todo o mundo, porque não aprender onde posso me sentir mais seguro, onde posso me entregar e onde preciso estar atento para definir se preciso me defender e, neste último caso, como, especificamente me defender?
A coragem de qualquer mudança em nossas vidas reside nisso: ousar um modelo diferente. Existe uma metáfora do modelo enquanto um “mapa da realidade” eu gosto desta metáfora porque é assim mesmo que vejo funcionar a mente das pessoas. A coragem de mudança, nesta metáfora estaria em ir explorar as “terras incógnitas” ou seja, sair do mapa!
Você tem um espírito pirata? De sair, ocasionalmente das rotas e buscar novas terras? Algo muito bom pode estar esperando por você. E, na pior das hipóteses, terá sempre uma bela aventura. Como disse o personagem Peter Pan: “A morte será a minha última aventura”. Porque não começar colocando o viver como a primeira?
Abraço
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