• 16 de outubro de 2015

    Estar perdido

    • Me sinto perdido…
    • Que emoção você está sentindo?
    • É como se as coisas tivessem caído da minha mão sabe?
    • Sim. Quando foi que elas começaram a cair?
    • Não sei direito… eu acho que depois da briga com a minha mulher.
    • O que aconteceu lá que as coias começaram a cair?
    • Hum… eu acho que eu comecei a… sei lá… ficar pensando demais no problema
    • E o que aconteceu quando você fez isso?
    • Eu comecei a me ver, de novo, como uma pessoa ruim sabe?
    • Sei
    • Daí veio aquele negócio de “eu não mereço”.
    • Perfeito, e daí a “sua mão fraquejou” e você deixou “as coisas caírem”
    • É… tipo isso…

     

    Perder-se é uma das maneiras que usamos para dizer que estamos sem foco ou que este perdeu a nitidez nos deixando “desfocados”. Esta é uma metáfora visual, se fossemos dizer o mesmo numa linguagem auditiva, poderíamos dizer que “perder-se” é quando saímos do ritmo ou quando tem algo errado na harmonia da sinfonia da nossa vida.

    A primeira coisa a entender é como fizemos para nos perder. Qual ou quais os eventos (e como reagimos à eles) que desencadearam, em nós, a resposta de ficar perdido. Isso é uma novidade: nós criamos o nosso estado de ficarmos perdidos. Ou seja, aprendemos a fazer isso e, da mesma forma, podemos aprender a sair disso.

    Como assim?

    Vamos do princípio. Para me sentir “perdido”, inicialmente devo saber onde estou ou onde eu estava. Quando estamos numa terra incógnita não dizemos que estamos perdidos, mas sim que estamos conhecendo e explorando uma nova área, em outras palavras, só é possível se perder dentro de um território que, de alguma forma, você já sabe qual é.

    Desta maneira, o território que “já conhecemos” é nossa vida, nossos desejos, metas, auto imagem, auto estima e formas de agir, aquilo que nos faz mal e o que nos faz bem. Criamos isso ao longo do tempo através de como processamos nossas experiências de vida. Passamos criar os critérios pelos quais organizamos nossa vida e vivemos, os valores e comportamentos que julgamos adequados.

    Porém, em alguns momentos, aprendemos que nem sempre é fácil manter nossas convicções ou somos punidos por elas ou até mesmo achamos que é mais fácil abrir mão delas em prol de outras coisas e com isso aprendemos uma maneira de suspender nossos critérios pessoais, metas de vida e desejos. A maneira pela qual fazemos isso e o “gatilho” que dispara este tipo de comportamento são aprendidos, criados de certa forma, por nós ao longo da vida. Assim, quando nos deparamos com uma situação assim, agimos “nos perdendo” desses valores e critérios que criamos para nós mesmos.

    No caso acima, por exemplo, existia um critério de alto valor, porém altamente perigoso: a pessoa tinha um desejo em manter uma boa relação, porém isso era vivido de forma muito rígida e qualquer briga o desqualificava como pessoa. Quando ele sentia que tinha “falhado” enquanto pessoa suspendia momentaneamente seus próprios desejos e critérios, não se via como merecedor dos mesmos. E sentia-se “perdido” justamente pela suspensão estes critérios. É como se você estivesse num submarino e, de repente, todas as suas maneiras de perceber o entorno fossem desligadas. Você está “perdido”, não sabe para onde está indo e nem onde está.

    O que se faz?

    Percebendo como fazemos para nos perder, podemos inverter o processo. Este é o primeiro passo. Obviamente isso significa que você terá que se dar um trabalho para compreender isso. Qual o gatilho que te fez se perder? O que você sente? Como vive este estar perdido? Estas perguntas podem ajudar a perceber este comportamento. A mudança será proporcional ao que causa a suspensão dos seus critérios. No caso acima, por exemplo, tivemos que trabalhar a rigidez do critério e redefinir o que é uma briga, ajudar a pessoa a lidar com a ansiedade e por fim, proteger de maneira mais forte as convicções dele ao mesmo tempo que lhe permitiam refletir e ser flexível.

    Abraço

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