– Mas eu não me sinto com vontade de fazer isso!
– Eu sei.
– Então…
– Então?
– Se eu não tenho vontade, como que vou fazer?
– De onde nasce a vontade?
– Como assim?
– Ora, você me diz que não tem vontade, ok. Porém: como fazer para tê-la?
– Não sei…
– Sim e esse é o problema, qual a sua atitude frente à este não saber?
– Eu fico esperando me dar vontade
– Precisamente.
Muitos planos são deixados de lado por “falta de vontade”. Porém a falta de vontade é realmente um problema ou é o resultado de uma maneira de encarar os fatos da vida?
É importante perceber um fato sobre a “vontade”. Vontade não é algo que dá e passa, ou incontrolável ou ainda que não está sujeito à administração. Este é o primeiro erro que se comete. As pessoas bem sucedidas em usar a vontade sabem convocar em si o estado de vontade para fazer algo. É interessante notar que embora a vontade necessite de um objeto, o estado de vontade é mais um estado emocional de prontidão para a ação e não precisa de um objeto específico.
O segundo erro que as pessoas cometem é o medo. Muitas pessoas sentem medo ao pensar em seus sonhos, metas e desafios. Vivem esta emoção de uma maneira que as paralisa e, com isso, “perdem a vontade”. A vontade não é “perdida”, mas sim relegada à segundo plano. É uma proteção do organismo: se aquilo que desejo pode me ferir, melhor não sentir vontade. Então a pessoa aprende a sabotar-se.
Existe ainda o problema dos desafios do dia a dia. Há uma confusão entre perder a vontade e sentir-se cansado. Entre perder a vontade e sentir dor, por exemplo, ou deixar de sentir prazer. A vontade não implica na ausência de dor, realizar nossos sonhos não é, na prática, algo que é sempre prazeroso. Gostar de algo é diferente de não sentir dor com esta escolha. Mesmo aquilo que gostamos de fazer pode nos cansar, causar decepção ou dor. Perder a vontade é ma questão de escolha, já sentir dor, cansaço ou decepção são partes da vida, seguindo seus sonhos ou não você irá sentir estas emoções.
A vontade se mantém quando mantemos a meta clara em nossa mente. É muito comum que pessoas determinadas não fraquejem frente àquilo que desejam. Dizemos, por exemplo, que elas tem uma boa força de vontade. Como elas conseguem isso?
Em primeiro lugar tem uma imagem clara daquilo que querem. Elas sabem o que querem. Este saber não é dado à elas, elas constróem seus desejos, meticulosa e trabalhosamente. Dá trabalho sonhar de verdade, não é uma tarefe fácil criar um plano que consiga agradar todas as suas partes. Nem sempre consegue-se, na verdade, muitas vezes precisamos abrir mão de algumas coisas em detrimento de outras.
Seus critérios em relação àquilo que desejam são claros e realistas. Porque dificilmente vemos pessoas determinadas reclamando do trabalho que tem para conseguir o que querem? Porque elas sabem que vai dar trabalho. Enquanto a maior parte das pessoas acha isso “chato” ou “desmotivador”, eles encaram como algo natural e aprendem a valorizar os momentos de vitória que tem sobre os desafios e sobre o trabalho. Quem lida mal com o trabalho diz “finalmente acabou”, quem lida bem diz “agora sim, terminei, olhe como ficou bom”. O final do trabalho para o primeiro é um alívio (a retirada de algo ruim), para o segundo, um orgulho.
Em terceiro lugar, ela sabe que a desmotivação, a decepção fazem parte do trajeto. Quem nunca desejou abandonar seus sonhos? Porém existem critérios que definem quando abrir mão. Em geral eles são critérios com muito bom senso e envolvem uma perda muito grande para conquistar seus sonhos ou um preço muito alto para atingi-lo. Fora isso, eles param, respiram, lembram de seus sonhos e se dizem “vamos lá”. Arregaçam as mangas e voltam ao trabalho. Eles também sabem respeitar seus corpos e sabem a diferença entre preguiça e cansaço se permitindo descansar quando realmente seus corpos precisam.
Viver o seu trabalho desta maneira, seus sonhos é uma das maneiras de gerar uma vontade forte e inabalável. Espero que tenha ajudado você com isso.
Abraço
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