– Eu não gosto muito de falar da minha raiva.
– Porque não?
– Eu prefiro deixar quieto, sair de perto sabe?
– Sim, eu sei, gostaria de entender o que te motiva à isso.
– É que… eu tenho medo sabe?
– Do que?
– De machucar as pessoas.
– E acha que vai machucar caso se permita sentir raiva?
– Sim.
Muitas pessoas tem medo de sua raiva. Já ter tido uma reação impensada pode lhe dar certeza que o melhor à fazer é ficar quieto. Porém não tememos apenas a raiva, existem pessoas que temem o próprio medo, ciúmes e tristeza. Porque tememos nossas emoções?
O medo é uma emoção que surge quando percebemos algo que pode nos causar algum tipo de dano físico ou psicológico. Assim tememos altura porque a queda pode nos ferir e tememos falar em público porque a humilhação pode nos ferir.
Temer as emoções significa que, de alguma maneira, compreendemos o ato de sentir uma determinada emoção e lhe dar expressão como algo que pode nos ferir. Como disse podemos separar o medo das emoções nessas duas frentes: o próprio sentir e o expressar a emoção.
Existem pessoas que aprendem que determinadas emoções são “erradas” ou então “coisa de gente fraca”, aprendem que algumas emoções “não servem para nada” e, com isto em mente, policiam-se o tempo todo para não sentir determinadas emoções. Esta tarefa é fracassada desde o início porque seres humanos nascem organizados para sentir todas as emoções e é inevitável que até o fim de sua vida você as sinta.
Para estas pessoas o simples fato de perceber uma determinada emoção é perigoso porque ela acredita que as emoções são ruins “per se”. Neste caso é importante refletir sobre a suposta “fragilidade” ou “inutilidade” da emoção. Porque a evolução, ao longo de milhões de anos resolveu nos dotar de emoções? A inutilidade não se aplica ao universo evolutivo.
A segunda tem a ver com a expressão. Pessoas que não aprendem a controlar impulsos e não aprendem maneiras diferentes de expressar uma emoção podem ficar presas em padrões disfuncionais ou muito limitados de expressão emocional e temer – por saber da ineficiência de suas respostas – continuar respondendo à emoção.
Neste caso a pessoa não teme a emoção em si, mas cria um conflito com ela por não saber maneiras mais maduras de reagir à ela. É quando temos que rever o que fazemos quando sentimos determinada emoção. A raiva, por exemplo, é uma emoção que pressupõe as perguntas: “o que me agride?”, “como sei que isso me agride?”, “qual a melhor maneira de reagir à isso?”. Estas são reflexões que levam a pessoa a desenvolver novos comportamentos e uma nova percepção quando sente-se com raiva.
Em resumo o que tememos nas emoções são a nossa percepção delas e a nossa reação à elas. As emoções nunca são o problema, mas sim como as compreendemos e a maneira pela qual lidamos com elas. Para resolver o nosso medo é importante questionar os limites que damos aquilo que sentimos e aos motivos que nos levam a sentir para desenvolvermos respostas mais maduras em relação ao que queremos de nós e do mundo.
Abraço
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