• 22 de fevereiro de 2016

    Realidade e casamento

     

    Photo © 2013  Solnet/The Grosby Group - July 03, 2013 -t's like looking in a mirror.  This chipmunk appears to be playing with his own reflection as his furry friend acts as a mirror image.  One of the chipmunks effortlessly hangs upside down on the branch, while the other calmly balances on the top. Their paws brush against each other in the touching moment as they appear to move in for a quick kiss.  Photographer Betsy Seeton from Colorado, US, captured the intimate moment near her cabin in the Rocky Mountains near Tin Cup, Colorado.   Pictured: Main Image: The pair of chipmunks on the branch.  It looks like they are looking in a mirror or a reflection in water. (SOL)

    Pode um casamento viver na ilusão? Bem, tecnicamente falando sim, porém podemos questionar à respeito da qualidade e limites desta relação. Se pendermos para o lado do “não”, entenderemos que a ilusão é algo prejudicial para a relação que irá ficar capenga de honestidade e de uma intimidade profunda, por exemplo. Porém, o que é ilusão dentro de uma relação?

    Quando se pensa rapidamente no tema é comum que ideias como a pessoa que é traída e finge não saber ou o casamento que está acabado e nenhum dos dois assume vem à mente com mais facilidade. Porém a ilusão é algo muito mais simples e todas as relações passam por isso.

    Comum ao estar apaixonado que o casal não perceba ou faça pouco caso de elementos pequenos que o incomodam, podem ser coisas como o excesso de ordem do parceiro ou o jeito meio esquecido dele. Ocorre que, depois de um certo tempo a paixão perda sua forção de ilusão – ou seja, de enganar ou embotar os sentidos – e a pessoa passa a ficar realmente incomodada com o que vive. É o momento em que ela percebe que irá conviver com aquilo “para sempre”.

    Para sempre aqui deve ser entendido como o fato de que o outro não irá mudar, de que ele é assim. Neste momento o “futuro” que cada um escreve para si deve se re-escrito. Aquela casa linda, limpa e impecável deve começar a ser imaginada com pó nas prateleiras e uma toalha molhada em cima dos livros junto com uma caneca de café pela metade que o conjugue deixou ali. Ou a vida louca e cheia de aventuras com vários momentos de calmaria com o conjugue mais caseiro.

    Re-escrever o seu futuro levando em conta os jeitos do conjugue é o exercício de realidade que toda pessoa que pensa seriamente em viver uma relação de longo prazo precisa fazer. A aceitação da diferença e a inserção da mesma nos planos de vida é uma tarefa nem sempre agradável, porém necessária para trazer a relação à honestidade e consciência de ambos envolvidos. Casamento é um compromisso à dois, assim sendo, não basta pensar em como você quer a relação, o outro é parte constituinte dela, sendo assim, imaginar um futuro apenas com os seus critérios é um erro visto que os critérios e a forma de viver do outro farão parte de sua vida futura.

    Este momento deve ser vivido com muita honestidade pelo fato de que é ela quem vai ajudar a relação à ir para frente. Quando digo isso preciso ser enfático em dizer que nem sempre “ir para frente” significa continuar junto. Honestidade consigo e coragem são necessários neste momento, pois é a hora de ver o seu futuro com certa precisão e, por esta razão a honestidade precisa ser a virtude mais alta: consigo, quero viver assim? A coragem é para se dar a resposta.

    O choque com a realidade serve para isso: perceber com mais clareza para onde você está indo e decidir se você deseja continuar indo para lá. Os bons casamentos passam por isso – mais de uma vez – e continuam com base em aceitação, negociação e compreensão de que, quando amamos e desejamos construir uma vida junto com outra pessoa ela se torna o lembrete vivo de que a vida sempre muda e que por esta razão precisamos estar sempre vinculados à nossa integridade que é o que nos proporciona a possibilidade de estar com o outro de verdade.

    Abraço

     

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