• 27 de abril de 2016

    Auto estima e relacionamentos

    – Eu sei.

    – Então porque você diz que eu não vou largar dela?

    – Porque você ainda não o fez.

    – Bom…

    – Você ameaça ela, mas não vai fazer isso.

    – Como você tem tanta certeza?

    – Porque ela te dá algo que você quer muito.

    – O que?

    – Ela te menospreza, te faz sentir uma pessoa pequena e insignificante.

    – E porque eu quero isso?

    – Também não sei, mas é assim que você me diz que se sente contigo mesmo não é?

    – É… é verdade…

    A auto estima é um fator que afeta diretamente a qualidade de nossas relações. Não é apenas a pessoa que escolhemos, mas a relação que escolhemos, a qual pode nos fazer reviver os medos e traumas do passado ou criar asas para voar em direção ao futuro.

    Tolstoi disse bem ao falar que famílias infelizes são criativas na maneira pela qual criam sua infelicidade. A tragédia sempre carrega consigo certa ironia e nas relações humanas esta ironia aparece de maneiras surpreendentes, por vezes, muito cruéis.

    A baixa auto estima é uma maneira de se perceber que reflete um ser que não merece uma vida satisfatória. Particularmente não gosto do termo “baixa” e nem do “alta” auto estima. Prefiro compreender qual é a “estima” que a pessoa tem por si, ou seja: qual o valor que ela tem de si.

    Gosto de verificar a emoção que há quando a pessoa pensa nela. E aqui, existe um truque: não se associar com nada (trabalho, posição social, familiar), apenas com o seu próprio corpo vivo. É aqui onde descubro o que a pessoa, de fato, sente sobre ela. Qual a emoção que há quando ela se sente? Culpa, remorso, tranquilidade, ansiedade? Não importa, o que importa é que existe uma.

    A partir disso compreendemos o que ela irá levar ao relacionamento. A auto estima afeta nossas relações porque o “eu” que levamos é o “eu” que valorizamos – independente de qual seja o valor. Se levamos o nosso eu negativo, avaliado como um mero “causador de problemas” isso afetará a maneira pela qual nos relacionamos e a própria qualidade de relação.

    Muitos clientes meus se surpreendem quando lhes digo que suas relações são “merecidas”. Retrucam dizendo que a relação está ruim. Por outro lado, nesta relação elas estão numa posição que é exatamente a mesma na qual se colocam ao se valorizarem. Não se trata de repetição, mas sim de criar uma relação – aqui entenda: “criar” envolve todo o processo: escolha do parceiro, o que faço e o que não faço na relação, os limites que coloco ou não coloco – que reflita o cenário no qual eu me percebo.

    Assim sendo se a percepção que tenho de eu mesmo é de um “bonachão”, um “banana”, provavelmente escolherei pessoas com tendências dominadoras que vão mandar em mim. Posso, também, escolher outro banana que irá sentir tanto medo de mim quanto eu dela, com isso, cria-se a atmosfera do medo, dentro da qual me coloco defensivo. Outra percepção é a de que não mereço nada melhor, bom, mereço algo pior então? Esta é uma saída e, então, a pessoa escolhe alguém que a faz sentir-se mal, mas ela permanece na relação justamente para sentir-se assim.

    Dessa maneira quando temos uma auto estima que nos valoriza pejorativamente, podemos criar vários tipos de infernos e de infelicidade para nós. A saída? Deixar de apontar o dedo para o outro e apontar para nós. A pergunta? Como estou construindo a minha felicidade?

    Abraço

     

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