• 6 de julho de 2016

    Pare de reclamar!!

    – Eu não aguento mais, tá tudo chato.

    – E o que você está fazendo para mudar isso?

    – Não consigo fazer nada Akim, ele não me deixa! É difícil sabe?

    – E o que, exatamente, você quer?

    – Eu nem sei mais direito o que eu quero.

    – Já deixou de pensar nisso é?

    – Sim, faz tempo… como é difícil com ele, nem tentei mais.

    – Entendi, porém isso só ajuda a situação a piorar né?

    – É verdade.

     

    Vivemos em uma sociedade de consumo. Enquanto consumidores, nos acostumamos com tudo sendo feito para o nosso deleite, não gostou? Reclame e alguém irá fazer algo por você. Mas, será que na vida prática é assim?

    Cada vez mais as pessoas reclamam sobre suas vidas e relações, junto com isso, percebemos que aumentam os problemas com relacionamentos, com emoções e auto estima. O que quero dizer é que se de um lado as pessoas tem reclamado mais das relações é porque elas também estão menos preparadas para ter relacionamentos, se elas reclamam da vida talvez seja porque elas não estão tão preparadas assim para ter uma vida boa.

    Ter uma rotina saudável dá trabalho, o problema é que muitas pessoas entendem isso como um direito delas, o qual deve ser recebido e não conquistado. Quando faço a pergunta “o que você quer?” seja de uma relação, do seu trabalho, do seu futuro enquanto pessoa, boa parte das pessoas olha para mim e responde “como assim?”. Nem sequer pensam exatamente naquilo que querem, porém, reclamam pelos cotovelos.

    A reclamação é um mecanismo de defesa que tem se tornado cada vez mais comum e “popular”. Como a era do consumo dá base para a reclamação, as pessoas tem se usado disso de maneira muito negligente. Do que a reclamação defende? Da necessidade de assumir a responsabilidade frente aquilo que se deseja, da possibilidade de fracasso frente a busca pelo seu desejo e, principalmente, do fato de que você está sozinho.

    Muitas pessoas nem sequer sabem aquilo que querem. Não saber não é pecado, porém continuar sem saber reclamando de que o mundo não é perfeito, sim. Porém, enfrentar este vazio é duro e reclamar nos protege disso, é como dizer: “eu não sei o que quero, mas o mundo tem muita injustiça”. Embora a segunda frase seja verdadeira, ela não ajuda a resolver a primeira, portanto é inútil refletir sobre a injustiça no mundo tentando resolver o seu direcionamento na vida.

    Aqueles que até sabem o que querem podem ter o problema de temer fracassar. Muitas vezes, estas pessoas entram em relações cujo conjugue atrapalha o seu desenvolvimento de alguma maneira, apenas para terem quem culpar, o que aparece da seguinte maneira: “se não fosse por ele(a) eu estaria muito mais desenvolvido”. Embora relações deem trabalho, o fato do seu desenvolvimento não ir para frente é de sua responsabilidade. E se você escolheu alguém que o atrapalha, bem, a escolha foi sua não foi?

    Por fim, reclamar do mundo nos venda para a nossa solidão existencial. É o medo de perceber que você é o responsável pela sua vida. Esta ilusão nos faz crer que alguém ou alguma coisa ainda virá para nos ajudar, para nos salvar, para tornar o mundo um lugar melhor. A partir desse momento, em que as ameaças da vida sumirem, poderei florescer sem dificuldades. Como diria Nathaniel Branden, “ninguém está vindo para salvá-lo”. Embora tenhamos amigos, professores e família, nosso comportamento, aquilo que experimentamos é apenas nosso. Ninguém sentirá a sua frustração por você e nem o seu orgulho.

    Reclamar nos protege da realidade. A necessidade de viver dentro de um casulo mágico, no qual tudo é possível e belo o tempo todo e sem esforço é o desejo de quem muito reclama, é uma revolta contra o fato de que a vida é dura. Quando digo isso, no entanto, não o faço de maneira pessimista, sigo mais uma vertente da filosofia trágica onde assume-se a dor, o frio e os problemas como parte da vida. Porque é necessário que tudo seja belo para que a vida floresça?

    Na verdade, a grande virtude da vida é justamente oposta: é surgir no meio de todo o caos do mundo, contra todas as possibilidades. Assim, afirmar aquilo que é trágico é afirmar a realidade em sua plenitude, com o que é bom e ruim, ao invés de desejar viver sempre dentro do “casulo do prazer eterno”, onde tudo é lindo e fácil. A borboleta pode viver dentro do casulo, mas enquanto estiver lá, livre dos problemas do mundo, nunca poderá voar.

    Abraço

     

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