– Mas, ele se foi!
– Eu sei.
– Não sabe o quanto dói.
– Não posso sentir do jeito que você sente.
– Então?
– Então?
– Como pode dizer para esquecer dele?
– Não estou pedindo isso, é impossível.
– O que é então?
– Que aceite que ele se foi.
Perder é algo que pode ser doloroso, porém, evitar a percepção e a emoção da perda pode causar ainda mais danos para a nossa própria evolução. Aprender a perder é importante, pois é parte fundamental da nossa vida.
A emoção da perda pode ser dolorosa, muitas pessoas preferem lidar com esta dor se apegando ao passado e ao que foi perdido buscando uma maneira de manter o que já foi, presente. Esta “solução” emocional exige que a pessoa se fixe em um tempo que não se sustenta mais. Tornar o passado, presente, é tarefa difícil, costumo dizer que é como andar para o futuro de costas para ele, ao mesmo tempo negando aquilo que está vindo e o que passou.
Para muitos a sensação física da perda é estranha. Algumas pessoas com um contato não muito desenvolvido de sua propriocepção acham estranha ou ruim a sensação orgânica da perda e ficam com medo tanto da perda que sofreram quanto da sensação. Assim, tendem a fugir desta sensação e do evento em si.
Perdas, no entanto, são parte constante da vida. A todo momento perdemos segundo, minutos, um amigo, uma situação, uma “fase da vida”. No entanto, toda perda também revela um ganho: só é possível ter “perdido” um amigo se antes você o teve. Assim, se de um lado a perda mostra aquilo que foi perdido, também mostra o que foi ganho ao longo do tempo, mostra aquilo que foi importante e que ainda pode ser. Ninguém perde o que não teve.
Aprender a dar valor ao que temos enquanto temos é um dos caminhos para lidar bem com a perda, afinal muitas pessoas não lidam bem com as perdas por não darem o devido valor ao que tem e só perceber isso quando é tarde demais. Outro ponto importante é aprender a reconhecer a emoção da perda em seu corpo, aprender que ele aguenta, por mais doloroso que possa ser, passar por isso.
Aceitar a perda ao invés de lutar contra ela ou tentar “barganhar” é o terceiro ponto. Aceitar o que foi perdido significa dizer “sim” para a experiência e entender que o seu futuro não irá contar mais com o que se foi, seja isso uma pessoa, situação, emprego ou coisa. Isso é importante para organizar duas coisas: a primeira é “quem eu sou” sem isso? A segunda é o que aprendo do que eu tive?
Existe uma identificação entre quem somos e o que vivemos. Perguntar-se “quem sou” quando uma experiência termina é importante para se definir novamente, saber quem se é. Homens tem a experiência comum de deprimirem após se aposentarem por serem tão identificados com o trabalho que não conseguem viver sem ele. Assim é importante re-definir quem se é após uma perda.
A segunda pergunta tem a ver com dar o devido valor ao que se viveu. Ao se perguntar o que aprendo com o que tive, a pessoa valoriza a experiência como algo do passado e algo que foi importante, contribuindo, assim, para o seu desenvolvimento e, inclusive, para planos futuros.
A perda pode ser apenas amarga e angustiante se você focar num passado que nunca mais voltará, porém, pode ser edificante quando você se percebe num presente mais rico do que no seu passado e vislumbra um futuro com escolhas melhores depois de ter vivido o que viveu.
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