• 17 de janeiro de 2020

    Emoções e decisões

    – Ah Akim, mas aí… você quer demais.

    – Eu quero? Não. Não quero nada. Apenas aponto para o que está muito evidente. O que te fez pensar que “eu” quero que você sinta o que está sentindo?

    – Bem, você falou sobre isso né?

    – Não, você falou sobre isso, não foi? Você é quem disse estar preocupado.

    – Sim, mas foi só maneira de dizer. Não estou preocupado de verdade.

    (silêncio)

    – Bem… talvez eu esteja, mas tenho que parar de fazer isso, senão não vai dar.

    – Se você encontrar uma forma de não se preocupar com o que deve se preocupar me avise.

    – Você acha que eu devo?

    – Não se trata do que eu acho, mas sim do que está ocorrendo. Você já está preocupado. Porque não olha para isso?

    Uma crença muito difundida é que é possível separar razão de emoção. Assim, muitos clientes dizem: “não, veja: eu estou falando racionalmente”. Bem, esta crença está envolta em muitas emoções, a principal delas é o medo de ao “envolver-se emocionalmente”, a pessoa fará escolhas erradas. Saber que esta crença é, apenas isso é fundamental para muitas pessoas aprenderem a ser, de fato, objetivas.

    Ser verdadeiramente objetivo não tem nada a ver com negar emoções ou “colocá-las de lado”, como muitos “especialistas” pretendem. Isso é, na verdade, impossível. Ocorre que neurologicamente as emoções tem predominância sobre a razão. O cérebro emocional é mais antigo e mais enraizado do que o cognitivo. Além disso, o cérebro cognitivo precisa do emocional para funcionar. Todas as competências racionais estão ligadas com estruturas do cérebro emocional, o que faz com que a noção de que é possível “não sentir” para pensar, seja falsa.

    Esta noção na verdade, impede a pessoa de ser realmente objetiva, visto que ela nega as emoções que surgem no processo de raciocínio. Temos várias pesquisas com CEO´s de várias empresas que mostram o poder que as emoções tem ao longo de uma negociação. Mais de um desses altos executivos, inclusive deixa claro que se não tiver um “feeling” (sentimento) não fecha o negócio por mais que ele esteja bem estruturado.

    Ocorre que as emoções são apenas uma maneira muito rápida de raciocínio, elas captam inconscientemente a informação e reagem rapidamente. A grande sacada em relação às emoções não é controlá-las, mas sim conhecê-las. Aqueles que desenvolvem uma relação estreita e honesta com suas emoções entendem que elas são excelentes complementos em todos os processos decisórios. Toda esta informação, no entanto, fica de fora quando a pessoa acredita “apenas na razão”.

    Pequenas informações não verbais como expressões faciais e mudanças no tom de voz e comportamento são muito valiosas ao criarmos uma linha de pensamento. Elas validam o que pensamos ou nos dizem que é melhor ir por outro caminho. As emoções são uma fonte rápida e muito precisa para detectar e reagir à estas informações. De outra forma, quando estamos sozinhos, nossas emoções nos avisam sobre possíveis reações que vamos ter ao caminhar por determinado caminho. Quem sabe escutar estas emoções consegue lidar com elas mais eficazmente e manter-se focado.

    O grande erro que se popularizou é que pessoas objetivas “não sentem”. Pelo contrário, o que se percebe é que quanto mais elas sentem e aprendem a lidar com suas emoções, mais objetivas e focadas elas conseguem ser. Pessoas que negam suas emoções (afinal de contas “não sentir” seria apenas um defeito neurológico) precisam de um grau muito grande de controle para conseguir seguir com suas metas e se desestruturam com muita facilidade assim que qualquer pequeno detalhe sai do planejado. Porque? Porque elas temem o que está fora. Quem não teme consegue improvisar quando é necessário, mas para fazer isso é preciso saber sentir.

    Abraço

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