• 26 de junho de 2020

Muitas regras, muito sofrimento…

– E, de repente eu me percebi triste.

– O que deixou você triste?

– Não sei dizer…

– Pense na situação, qual foi o momento no qual sentiu tristeza, o que estava acontecendo naquele momento?

– Eu acho que foi quando ela agradeceu todo mundo e foi se sentar.

– O que aconteceu ali?

– Eu achava que ela tinha que ter ido me dar um abraço ou algo assim.

– E como ela não foi?

– Achei que ela não tinha gostado da apresentação…

 

Quando criamos muitas regras e regras muito rígidas, tendemos a criar problemas para nós. Isso, porém, não deve ser entendido como uma “ode à espontaneidade”: uma vida sem regras não consegue ser vivida plenamente.

Precisamos de regras para organizar nossas vidas. Na verdade é impossível viver sem elas. Quando alguém diz que “vive sem regra nenhuma”, ele está colocando a regra pela qual vive, ou seja: sem regra nenhuma. Isso lhe traz implicações como, por exemplo, não poder seguir alguma regra, mesmo que ela lhe seja útil. Dito isso, é importante compreender que as regras nem sempre são elaboradas e vividas de maneira adequada sendo que este – e não a existência de regras – é o problema mais importante quando falamos no assunto.

No livro “Mente organizada”, o autor nos oferece uma série de maneiras de organizar a nossa vida com base em estudos de neurociências. Cada uma das “dicas” dadas são regras pelas quais podemos operar. Uma delas, que achei interessante era sobre como criar novos hábitos. E ele diz que só há uma forma: até você realmente ter um novo hábito, aja como um compulsivo obsessivo. Ou seja, repita indefinidamente aquilo que se colocou como meta até que você aprenda o novo comportamento, a partir daí conseguirá relaxar.

Porém, existem pessoas que agem desta forma na criação de regras. Ou seja, criam regras compulsivamente. Cada pequeno detalhe se torna uma nova regra. Assim sendo, se qualquer coisa saí do esquema anterior ela se sente prejudicada ou afrontada. O problema em criar regras demais é que assumimos a vida como algo sempre igual e impassível de mudanças, nos desconectamos da realidade e nos ligamos ao nosso mundo interno na busca do que é o real.

Portanto, quando criamos regras demais para eventos que são aleatórios demais, tentamos controlar algo que não é controlável. Quando criamos regras de menos para eventos que são rotineiros, tentamos criar uma “espontaneidade” onde ela não é tão necessária (ou até saudável). Quando confundimos as regras que criamos com a realidade, perdemos nossa capacidade de reagir ao inesperado. Quando as regras se tornam mais importantes do que a função à qual elas servem, perdemos criatividade e, por incrível que pareça: responsabilidade.

Regras, então, precisam ser úteis, ou seja, elas necessitam servir a alguma função, quando não conseguimos mais entender o motivo de uma regra está na hora de rever isso. Elas também precisam estar sempre ligadas com a realidade, ou seja, quando uma regra perde o contato com o mundo, tentando defini-lo ela perde sua capacidade de se atualizar. Por fim, uma regra precisa nos trazer algum benefício (ou evitar algo ruim), quando elas nos trazem problemas ao invés de soluções está na hora de retirá-las do manual.

 

 

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