• 23 de outubro de 2020

    Apenas faça algo!

    – Mas eu acho estranho isso.

    – O que?

    – Eu pensei que se eu entendesse porque eu queria fazer isso, a motivação iria vir.

    – Como se ela fosse um sinal de rádio? Sintonizou na estação certa e ouve a música?

    – Algo assim.

    – A realidade é frustrante né? Agora me diga: quanto tempo você perdeu esperando isso?

    – Mais de um mês já.

    – E se você tivesse feito, mesmo sem entender o porque, estaria melhor agora?

    – Sim… pelo menos teria feito alguma coisa né?

    – Pois é.

     

    O que é necessário para tomarmos ação? Sair da inércia e agir é um dos temas mais importantes para as futuras gerações. Embora muito se fale sobre o tema, algo relevante sobre ele fica de lado e, enquanto a discussão sobre o que é necessário para a ação aumenta, a ação diminui.

    O aumento da cultura da eficiência e da auto estima mostraram estudos sobre muitas características humanas relativas à tomada de ação e decisão. Elementos como “ter um sentido”, “motivação”, “emoção positiva em relação ao objetivo”, “ser pró ativo” caíram na boca do povo e hoje qualquer criança consegue dizer: “não sinto motivação para fazer isso”. Embora todos esses elementos – e outros – realmente façam parte do estudo da motivação humana, a maneira pela qual eles foram colocados – e são veiculados hoje – está errada.

    Ocorre que tudo isso é entendido como algo “externo”, ou seja uma força ou energia que vem de algum lugar e me faz agir. Quase sempre ouço de meus clientes: “falta algo que me dê um empurrão”, “sinto que falta algo que me puxe”, “parece que não tem nada que me faça ficar lá”; ora, todas essas frases se referem a maneira pela qual as pessoas percebem a motivação: como algo externo que move elas. Embora a fonte de motivação possa advir de um estímulo externo, o sentimento de motivação é interno.

    O que é realmente necessário para fazer algo é a ação. Embora isso possa parece redundante, não é. Enquanto planejamos, a ação é apenas uma atividade mental. Agir de fato dá concretude à imaginação e isso sustenta a ação mais do que qualquer outra coisa. A prova disso é que procrastinadores, por exemplo, sempre pensam em outra coisa para fazer e fazem! Ao invés de estudar, pensam em jogar video game, e jogam. Esta ação concretiza a experiência mental e isso faz com que ela se torne mais importante para o cérebro do que aquelas outras que não se tornaram concretas.

    É como se nosso cérebro emprestasse diferentes valores para os planos que são postos em ação e aqueles que não são. Isso se deve porque ao agir conjuntos diferentes de neurônios são acionados, a pessoa vive a experiência, tendo a possibilidade de gerar feedback e recompensa e, com isso, ela passa a sentir-se mais atrelada ao que foi feito do que aquilo que não foi. O problema é que o cérebro faz isso para qualquer ação, daí a nossa facilidade em criar hábitos.

    Você não precisa estar super motivado para agir, não precisa ver um sentido profundo em sua ação, não precisa ter um rol de emoções positivas e estar sempre super disposto para fazer aquilo que pensou em fazer. Você só precisa agir. Todos os outros elementos se torna irrelevantes diante disso. Se você não fizer, não adianta estar motivado – e muitas pessoas depois de “encontrarem” motivação, continuam sem fazer nada. A ação, por outro lado é capaz de dar vivacidade ao plano, com isso os outros elementos podem se somar, porque eles, no fundo, são qualificadores da ação e recursos necessários para a ação. Em outras palavras: é mais prazeroso fazer algo que nos faça sentido, porém isso não é necessário.

     

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