• 19 de fevereiro de 2021

    Antagonizar e fugir

    – Ele não me ajuda!

    – Ele não tem que ajudar.

    – Mas e como que eu fico?

    – Você sabe bem que é você quem tem que fazer isso. Sozinha.

    – Mas como se ele não ajuda em nada?

    – Ora não é tarefa dele não é mesmo?

    – E como eu fico?

    – Sozinha. Como é isso para você?

     

    Uma dinâmica muito comum a respeito do medo é quando ao invés de assumirmos temer algo, criamos um conflito contra alguém. Esta dinâmica nos afasta completamente da possibilidade de resolver a situação assim como nos confunde em relação ao que realmente queremos.

    Costumamos acreditar que quando pensamos “eu quero” algo, nossa mente imediatamente começa a buscar por isso. A cultura do “basta querer” não consegue perceber o quanto essa noção é simplória e errônea. Nem sempre aquilo que queremos é fácil ou estamos preparados para isso. Basta pensar em paquera, boa parte das pessoas sente um frio na barriga ou vergonha quando pensa em flertar com alguém, mesmo querendo.

    Porém, nem sempre é fácil aceitar que estamos com medo. Muitas vezes, tendemos a negar ou fugir deste sentimento. Em alguns casos, também conseguimos dar um jeito de brigar com alguém, geralmente próximo, ao invés de aceitar o medo que temos daquilo que queremos. Então a pessoa simplesmente cria um conflito que não existe afim de criar um problema. Relatam em sessão, então, que “se não fosse isso, eu já teria feito”. O fato, porém, é outro.

    Em geral, as pessoas não faziam nada antes do conjugue e continuarão não fazendo depois dele. Quando se tem medo de algo é importante olhar este medo a invés de projetá-lo. A aceitação do medo, implica no reconhecimento de nossas dificuldades. Sem isso não conseguimos perceber com clareza o que tememos e porque. E esta é a matéria prima para executar qualquer mudança. Se a pessoa consegue aceitar seus medos, ela também reconhece suas limitações e pode, com isso, melhora-las.

    Portanto, é comum que pessoas que brigam muito e culpam seus conjugues por infortúnios em suas vidas, tendam a ser medrosas. O medo, no caso, é justamente o de assumir seu desejo e o medo que se possui dele. Frear o desejo de antagonizar com o outro é afirmar o desejo de realizar logo seus sonhos. Essa percepção é importante porque nos faz ver o que realmente é importante e difícil para nós. Com isso é que se constrói conhecimento verdadeiro para crescer.

    Por fim, frear o movimento de antagonizar também implica em reconhecer, muitas vezes, nossa dificuldade em nos colocarmos perante os outros. Às vezes, o simples fato de não conseguirmos dizer um não, pode ser usado para criar um conflito desnecessário. Ao invés de assumir a dificuldade, a pessoa se ressente de seu conjugue e passa a atacá-lo por sua falta de competência. Neste caso a solução é a mesma, pois sem perceber o medo e a incompetência, ninguém cresce.

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