• 22 de março de 2021

    Pare de fazer drama!

    – Ah Akim, eu falei para ela parar de fazer drama!

    – E qual o drama que ela estava fazendo?

    – Ah, falando que estava triste e tal.

    – E o que tem de dramático nisso?

    – Ela queria me convencer a não ir viajar, só isso, por isso falou que estava triste.

    – É possível, mas seria possível, também que ela simplesmente estivesse triste com sua partida?

    – Não creio.

    – E quando que você acredita na tristeza de alguém?

    – É… é bem difícil, eu acho que tristeza é drama.

    – E você lida bem com sua tristeza?

    – Eu quase nunca fico triste.

     

    Existem pessoas que “fazem drama”? Sim. É óbvio que existe. Porém também existem pessoa que lidam mal com a emoção dos outros porque não conseguem lidar bem com as suas. É importante reconhecer de que maneira a emoção dos outros nos afeta e conseguir reagir à isso de uma maneira mais saudável.

    As emoções são alvo de preconceitos para muitas pessoas. Existem preconceitos para todas as emoções: a raiva é coisa de gente impulsiva, tristeza é coisa de gente dramática, medo é coisa de gente fraca, alegria é coisa de gente boba. Esses preconceitos criam para várias pessoas, famílias e culturas o que se chama de “emoção proibida”. Este tipo de emoção deve ser evitada a todo custo por representar uma falha de caráter, ou a evidência de que a pessoa não está vivendo sua vida adequadamente.

    Porém, como se faz para evitar uma emoção? Em primeiro lugar é importante deixar claro que tal tarefa é impossível. As emoções possuem componentes biológicos arcaicos e não precisam da nossa autorização para ocorrerem. Porém a supressão pode ser muito eficaz. Para isso, é necessário evitar todo e qualquer comportamento que possa ser associado à emoção, todos os temas ligados à ela, respostas muito distorcidas em relação à temas que de fato são expressões saudáveis da emoção e uma racionalização profunda de qualquer coisa que possa gerar, na pessoa, a mesma emoção.

    No caso da tristeza, por exemplo. Podemos entender que quaisquer manifestações desta emoção são sinônimo de uma pessoa dramática. Assim sendo, quando alguém chora em um enterro, por exemplo, podemos racionalizar e dizer: “não sei porque chora, todo mundo morre”. Como a tristeza é um estado de energia voltado ao interno, a pessoa evita todas as atividades de introspecção, também evita falar ou pensar em perdas ou sobre a importância das coisas para ela. Com isso, é possível perceber que a tristeza é uma “emoção inútil”.

    Porém, é óbvio que a tristeza ou qualquer emoção não é inútil. E a pessoa precisa relacionar-se com humanos que sentem isso. Então tende a evitar pessoas que demonstram tristeza com tranquilidade, hostilizar quando alguém próximo sente esta emoção e evitar falar sobre o assunto com elas, tratando sempre como “bobagem” estas expressões. Com este poderoso repertório a pessoa consegue deixar a emoção longe de si. Porém o custo emocional disso é alto.

    A tendência a hostilidade em relação às emoções é a marca mais comum de quem reprime seus estados emocionais. Porque? Porque as emoções, na percepção dessa pessoa são hostis. Daí a percepção de que o outro está sempre tentando manipular através das emoções ou criar algum desconforto para a pessoa. O fato é que essa percepção fala mais da pessoa que se sente ofendida do que de quem está expressando a emoção. Para quem convive com pessoas que tem este comportamento é importante saber dar limites e não aceitar a concepção negativa que a pessoa tem de fraqueza sobre a emoção.

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