• 17 de maio de 2021

    O valor do que me fere

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    – Eu acho que eu exagerei.

    – Concordo, o que ela te disse não era motivo para a briga.

    – Sim.

    – O que você fez com essa percepção?

    – Bem… na hora não fiz nada… é difícil para mim pedir desculpas.

    – Acha que deveria?

    – Sim, mas não consigo.

     

    É comum nos sentirmos ofendidos ou magoados por alguns comportamentos ou situações. Porém, vez ou outra, percebemos que há um exagero de nossa parte naquilo que nos fere ou em como reagimos. O que fazer nessa situação?

    Aceitar o exagero é a primeira parte. Muitas vezes sentimos que nossa reação à determinada pessoa ou evento é exagerada, mas tendemos a justificar o que fizemos tentando dar uma razão à nossa ação. Isso é um erro, pois é sempre importante verificar as sensações que temos frente ao que vivemos, mesmo que ela seja diferente do que esperávamos e, principalmente, se for antagônica ao que queríamos.

    Aceitando o exagero, o segundo passo é perguntar-se: “se isso foi um exagero, o que deveria ser uma resposta mais “adequada”? Não pense em apenas uma resposta, mais em várias. Uma vez que você consiga chegar à umas três respostas diferentes que sejam mais adequadas, pergunte-se: “o que há em comum nessas respostas que me faz entendê-las como mais adequadas?”

    Esta pergunta fará você buscar o critério que está em desajuste. Pode ser que você tenha um ou mais critérios em exagero frente à situação, então não se importe caso perceba que há mais de um sinal em comum. O passo seguinte é buscar compreender de que maneira você pensa aquele critério para que ele tenha se tornado um exagero. Junto com isso é importante compreender quais emoções esse critério desperta em você. Nem sempre a emoção mais evidente é a mais importante. A raiva, por exemplo, mesmo sendo uma emoção muito evidente, pode ser apenas uma reação ao medo, culpa ou vergonha.

    Por exemplo, quando uma pessoa se enraivece demais com alguém por causa de uma crítica. A pessoa detecta a sua raiva, mas a percebe como exagerada. Ao aceitar o exagero, e se perguntar o que poderia ser uma resposta mais adequada ela conclui que poderia entender a crítica como uma tentativa do outro em lhe ajudar a crescer, que poderia simplesmente compreender que críticas fazem parte da vida e que ela poderia fazer perguntas à quem lhe criticou para entender melhor a sua linha de pensamento ao invés de esbravejar e se fechar em copas.

    Um dos pontos em comum nas três respostas que ela se deu é a visão sobre o que é a crítica. Neste caso o critério em desajuste é que “crítica” é entendida como “ofensa”. Assim sendo quando a pessoa é criticada está, na verdade vivendo uma ofensa. Isso desperta uma emoção de raiva e nojo. Raiva de quem está impedindo ela de estar tranquila e nojo da pessoa que faz isso “sem motivos”. A ideia, então é, compreendendo isso, poder fazer ajustes em sua forma de pensar e de se comportar afim de que uma crítica seja apenas uma crítica.

    Abraço

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