• 11 de junho de 2021

    O medo como companheiro

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    – E daí, falando com ele pelo telefone me deu um medo sabe?

    – Medo? Do que?

    – Não sei ao certo… foi um medo generalizado…

    – Hum… qual foi a sensação que você teve ao falar com ele pelo telefone?

    – Pois é… isso que acho estranho, eu estava me sentindo livre, estava uma conversa boa, do tipo “ok, agora aceitamos você aí”.

    – Entendi. O que essa frase “aceitamos você aí significa”?

    – Hum… não sei direito… mas talvez algo como “agora está por si só”?

    – Sim.

     

    O medo é uma das emoções mais antigas e mais presentes no homem. Como parte de nossa vida é sempre indeterminada, o medo é parte da condição humana. Por essa razão é importante aprender a lidar com ele.

    O fato é que todos sentem medo. Alguns mais, outros menos. Alguns aceitam e expressam mais isso enquanto outros tendem a esconder. Mas, como a vida é sempre incerta, o medo é uma emoção que paira sobre nossas cabeças. Esta emoção antiga e poderosa também nos coloca em movimento para nos defendermos daquilo que tememos, nos tornando mais ágeis e fortes ou para nos afastarmos.

    Porém o mais difícil em relação ao medo é senti-lo. Um relato comum das pessoas é que quando entram em contato com a situação temida, o medo tende a desaparecer. Uma reação é a paralisia cuja função é de proteção (se você não sabe o que fazer, fique durinho e quietinho e talvez ninguém o perceba). As outras duas reações comuns são a fuga ou a luta. Em todos estes casos, o sentimento de medo parece sumir e o que resta é a realidade nua e crua.

    Isso tem a ver com a natureza do medo. Seu tempo não é o presente, mas sim o futuro. A natureza do medo é mental, assim sendo, quando a situação se concretiza, ele desaparece e dá lugar a ação. Não é que a situação deixa de ser apavorante, mas é que você está lidando diretamente com ela e isso muda a sensação subjetiva do medo. Obviamente, existem situação que são tão terríveis que nos permitem tempo para pensar sobre um futuro ainda pior, o que aumenta o medo, como num sequestro.

    A sensação de medo nos deixa desconfortáveis e a nosso desejo é se livrar disso. Frio na barria, suor frio e pernas bambas são alguns sintomas comuns. A mente nebulosa, palco de inúmeros cenários terríveis para nós ou ainda pior: a contemplação de um vazio aterrorizante, nos faz inquietos e menores.

    Para lidar com a sensação que o medo cria é importante compreender sua função e o funcionamento de nossa mente. Aquilo que pensamos, principalmente quando o fazemos com força, tende a assumir um valor de realidade em nossa mente. Em outras palavras, pensar causa sensações e emoções muito próximas de uma situação real. O medo que temos em relação ao futuro tem a função de nos preparar para possíveis cenários negativos. o problema é que vivenciamos mentalmente estes cenários como se eles fossem realidade.

    Assim sendo a questão é aprender a distinguir a realidade da ficção que criamos em nossa mente. Entender que a fantasia que criamos é apenas uma fantasia. Separar o momento futuro no qual essa fantasia ocorre do momento presente onde estamos é o segundo passo. Essas duas atitudes nos levam a compreender que tememos um cenário possível, mas que ele não está ocorrendo. Isso nos leva a duas perguntas: preciso me preocupar? Em caso positivo, como me preparar para lidar com a situação?

    A preparação é a etapa final para lidar com o medo de maneira positiva. Ao compreender o que você teme e organizar uma resposta para isso, o medo tende a diminuir ou a se transformar em outra emoção. Isso não nos impede de sentir medo. Sempre sentiremos medo, ninguém “se livra” do medo. O que fazemos é reagir à ele, pois sua função é nos alertar para algo que pode nos trazer consequências negativas no futuro. A sensação ruim que sentimos é proporcional ao impacto que acreditamos que a situação temida terá em nossa vida.

    Abraço

     

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