• 7 de julho de 2021

    Sentindo medo? Então avance!

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    – Não sei se devo fazer isso.

    – Porque não?

    – Eu não me sinto bem em pensar em fazer.

    – Mas é claro que não se sente. Você tem medo de fazer isso.

    – E você diz isso assim?

    – Não é a verdade?

    – É.

    – Então, sim, você está com medo e, mesmo assim, isso é necessário.

    – Não deveria me sentir motivado?

    – Bem, você pode se sentir motivado também, mas ainda assim, creio que sentirá medo.

     

    Popularizou-se a ideia de que precisamos nos sentir bem para agir. Embora isso seja muito bom, nem sempre é possível. O que fazer quando não estamos nos sentindo bem?

    A popularização da noção de que existe um “estado ótimo” com o qual devemos começar tarefas e metas teve um grave problema: colocou o estado ótimo como uma obrigação. Assim, muitas pessoas acabaram entendendo que não sentir-se plenamente motivado para uma determinada tarefa significa que há algo de errado com a pessoa ou com a tarefa. Nesse pensamento, sentir medo, angústia ou qualquer emoção negativa é pior ainda, a conclusão: não faça nada.

    Porém, se você trabalhar com seres humanos durante um pouco de tempo, logo verá que não somos máquinas de atingir “estados ótimos” o tempo todo. Fatalmente teremos um dia ruim, noite mal dormida ou briga com o conjugue. Esses acontecimentos da vida afetam o quão bom conseguimos estar. Negar estas variações em nossa energia faz com que nos cobremos em excesso, além de ser pura arrogância.

    Em um livro pequeno, porém profundo chamado “Os quatro compromissos”, o autor dá uma solução à este problema muito simples e útil. Ele diz que um dos compromissos é sempre dar o seu melhor. Porém entende que o “melhor” é algo variável e não fixo. Em outras palavras se tive um rendimento de “8” em um dia não significa que no dia seguinte eu preciso render “8.1” ou mais para estar “dando o meu melhor”. Isso leva em consideração o estado no qual a pessoa se encontra. Para quem deu “8” em um dia, dar “6.7” em outro no qual está doente, dormiu mal e está brigado com alguém que ama pode ser o seu melhor.

    Outras emoções como medo, angústia e preguiça podem surgir em nosso caminho. Isso não significa que é necessário parar tudo e esperar a alegria e motivação voltarem. Pelo contrário, é fundamental aprender a lidar com mais de uma emoção ao mesmo tempo afim de viver bem com elas. Para este problema, temos uma fórmula antiga que é pensar naquilo que é importante fazer.

    O medo, por exemplo, pode desejar nos proteger de algo nocivo. Assim sendo posso me dizer que vou fazer o que tenho que fazer mesmo com medo. Em primeiro lugar porque preciso, em segundo porque posso me proteger enquanto faço e, com isso, posso aprender a estar ainda mais preparado para os próximos desafios. Esta percepção de mundo ajuda muitas pessoas a enfrentarem seus medos de frente enquanto buscam aquilo que querem.

    Portanto, embora existam estados emocionais que nos ajudam a vencer nossos desafios de maneira mais eficaz, eles não são necessários e nem sequer precisam estar “sós”. É possível sentir motivação com medo e ainda assim ir atrás dos seus sonhos. O mesmo vale para todas as emoções que, cedo ou tarde, acabam entrando em nossas vidas enquanto buscamos nossos sonhos. Esperar o momento ideal é perder o momento real. Não perca o seu.

    Abraço

     

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