• 1 de setembro de 2021

    O que você quer de uma relação?

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    – Eu não sei se ele é o cara certo.

    – O que você quer de uma relação?

    – Então… ele é companheiro como eu espero, mas ainda assim não sei se devo investir nele.

    – Sim, o que você quer de uma relação?

    – Então… tipo companheirismo.

    – Como você cria isso na relação?

    – Como assim?

    – Ora, se você quer uma relação com companheirismo, você tem que saber criar isso não é?

    – Nunca tinha pensado nisso.

     

    Há uma diferença entre refletir sobre o que espero de uma relação e o que espero de uma pessoa. Embora possa parecer estranho, esta distinção é fundamental para o início de uma boa relação.

    A diferença fundamental entre aquilo que esperamos de uma pessoa e de um relação é a responsabilidade. Quando pensamos na pessoa com quem queremos nos relacionar a única responsabilidade que podemos ter é buscar alguém que contenha aquilo que desejamos. Não é nossa responsabilidade criar essa pessoa. Porém, quando pensamos em termos da relação que queremos ter, a responsabilidade sobre o que queremos nela é nossa.

    Você pode dizer que uma relação é feita de dois, logo a responsabilidade é de ambos. Concordo que a relação é feita de dois, porém, se você não sabe como criar o que quer o que irá fazer com o outro? Em geral, as pessoas culpam o outro. Acho isso grosseiro e feio. É indelicado culpar alguém pelo fato de eu não saber como criar dentro de um relacionamento aquilo que julgo importante.

    Companheirismo é uma característica que está na moda, porém poucas pessoas me respondem como criam ele. Em geral me dizem que o outro é atencioso, que o outro escuta ou algo relacionado com o comportamento de terceiros. Porém gerar companheirismo, envolve abrir-se para o outro, cobrar, impor limites e deixar muito claro o que se quer. Isso, obviamente, envolve convicção sobre o que é importante para você.

    Quando colocamos a responsabilidade sobre aquilo que queremos em uma relação em nós, percebemos nossas falhas em agir. Enquanto a responsabilidade está nas características do outro, nada temos para fazer. Ao assumir a responsabilidade pensamos em quais ações tomamos para gerar aquilo que queremos. Como criar companheirismo, parceria, amor, trocas, diversão e outras características que se esperam de uma relação? Como você faz isso?

    O primeiro passo é ir além do nome. “Companheirismo” ´algo bonito, porém, o que significa na prática? Quais os comportamentos que observo em mim quando isso ocorre? Pensamentos, sentimentos que me fazem entender que há companheirismo na minha relação. Quais as situações nas quais isso ocorre e como faço para criar estas situações? Essas perguntas podem ajudar você a se colocar em um papel de maior responsabilidade em relação à sua vida afetivo-amorosa e criar relações mais interessantes para você sem culpar o outro por não lhe dar o que nem você sabe dizer, ao certo, o que é.

    Abraço

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