• 4 de outubro de 2021

    O que é uma mudança profunda?

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    – Eu não consegui me lembrar de ficar comigo

    – O que aconteceu?

    – Não sei, só me esqueci.

    – Então vou lhe dar um momento à sós aqui e agora. Vou me retirar da sala e você ficará a sós com você.

    – Não, prefiro não.

    – O que você sentiu quando eu disse isso?

    – Medo.

     

    Muito se fala em mudar, evoluir ou “ir além”. Porém, é fato que poucas pessoas compreender de maneira profunda o processo “mudança”. Assim sendo é muito fácil e comum criarem hábitos que não precisam para colherem resultados (e consequências) que não querem.

    Nenhum comportamento ou hábito existe por acaso em um ser humano. Alguns influenciam de maneira mais direta e fundamental a nossa identidade, outros menos e alguns farão parte de nós o resto de nossas vidas. Quando se fala em mudar, é importante compreender que a mudança em uma parte afetará o todo. Chama-se isso de “ecologia”. Em geral, o que as pessoas desejam é retirar um determinado pedaço de comportamento e colocar outro no lugar, nada mais.

    Mudanças são mais superficiais quando tratam de “pedaços de nós” que são mais superficiais. Quais são eles? Difícil dizer, cada pessoa tem uma estrutura única em relação à isso. Algo que pode ser muito simples e superficial para mim, pode ser o cerne de sua existência, assim sendo, neste caso não existe um padrão. Mudanças são mais profundas quando envolvem nosso todo de uma maneira mais sistêmica.

    Esse é o tipo de caso ou momento em que as pessoas precisam decidir se querem realmente mudar ou não. Essas são as mudanças que mexem com nossos medos, fantasias, carências e impotência. São as mudanças que sempre adiamos ou que damos um jeito de achar que são pequenas (porque elas não são). Quando tocamos em temas mais fundamentais a análise se aprofunda e um elemento fundamental entra em cena: a entrega.

    Em Mateus 16, 25 encontramos: “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.” Esta frase enigmática reflete justamente este tema. Quando a mudança que envolve nossa própria identidade, aquele que tentar “salvar-se” (ou seja manter sua identidade) irá se perder. A entrega envolve a coragem de sustentar um estado de “não-existência”. Um momento dentro do qual você não será você, mas não saberá quem é: precisará redefinir-se.

    Identidade, crenças, comportamento, recursos, missão de vida e até mesmo o ambiente são fatores que entram em cena nesse momento. “Nada escapa” quando entramos em uma mudança profunda. Uma mudança profunda não tem mais ou menos valor do que uma superficial, não se trata disso. São apenas questões diferentes. Não é a todo momento que é necessário mudar seu self, por vezes apenas partes de nós precisam mudar. Porém, quando embarcamos em uma mudança do tipo profunda, é importante reconhecer o que ela significa e se você está pronto para ela.

    Por este motivo é necessária a criação da coragem. Bert Hellinger diz: “quem teme o que a realidade traz à luz coloca uma viseira nos olhos”. Quando aprendemos a nos encorajar para perder uma parte de quem somos é que podemos descobrir mais sobre o que é ser nós mesmos. A entrega é a chave para a mudança profunda. É cair no abismo, mergulhar no oceano e ressurgir transformado. O ciclo da aventura do herói. Aventure-se.

    Abraço

     

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