• 5 de novembro de 2021

    O valor da memória

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    – E daí, quando eu penso em tentar, me dá uma coisa ruim.

    – Que “coisa ruim”?

    – Ah, eu me lembro do que eu já fiz e não consegui fazer direito sabe?

    – Sim. O que te motiva a lembrar dos seus fracassos passados quando quer construir o futuro?

    – Não sei direito

     

    A memória não é apenas um banco de dados que ficam parados sem fazer nada em nossa mente. A memória tem função ativa em muitas atividades cognitivas e psicológicas. Planejar o futuro é uma delas.

    Nossa memória é muito mais que um banco de dados. As informações que guardamos vivem de maneira ativa dentro de nós, caso contrário acabam sendo esquecidas. É um fato curioso sobre a memória que, de forma geral, apenas aquelas informações que são utilizadas se mantém. Assim sendo, memórias sobre dias bons, ruins, conversas, situações precisam ser ativadas com constância para se manterem.

    Como fazemos isso? O ser humano é um contador nato de histórias. A principal história que ele se conta todos os dias é sobre “quem ele é”. Todos os dias reforçamos a auto imagem que temos de nós através das situações que vivemos e das lembranças que temos de situações semelhantes. É o famoso “ah, viu só, tinha que ser! Isso sempre acontece comigo”. Quando falamos isso, não estamos apenas confirmando o que aconteceu conosco, mas, também, nossa auto imagem.

    Desta forma a memória nos lembra do que ocorreu e de quem somos. Ela ajuda a definir nossa identidade. A memória, dessa maneira, assume “valores”. Valores podem ser negativos ou positivos. Os negativos são aqueles que nos afastam de alguma coisa. Por exemplo, diante de uma situação onde terei que confrontar alguém, me recordo das situações em que tive medo de fazer isso ou nas quais não fiz isso adequadamente. Esta memória tenderá a me afastar da situação atual ou futura de confronto. A memória de valor positivo funciona ao contrário dessa, nos impelindo à ação.

    Ela pode edificar ou denegrir a auto imagem. Diante de uma situação em que falhei, por exemplo, posso empregar a memória para me lembrar de outras situações nas quais cumpri com minhas metas e dizer-me: “foi só dessa vez, em geral, cumpro com o que me comprometo”. Ou posso me lembrar de todas as vezes em que falhei e concluir: “eu não sirvo para nada mesmo, nunca faço nada direito”.

    Desta maneira, ao lembrar de alguma coisa o importante não é apenas o fato que é lembrado, mas todas as emoções que emergem junto com a lembrança e o efeito que ela tem sobre nossa auto estima e comportamento. Aprender a usar a memória significa compreender quais são os impactos que ela tem sobre nós. Desta maneira a memória poderá ter um valor geral positivo nos ajudando a compreender nosso passado para projetar nossa futuro de maneira construtiva.

    Abraço

     

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