• 3 de dezembro de 2021

    Adultos ou crianças?

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    – Mas eu sempre fui assim Akim!

    – Sim, eu sei. Desde quando, mais ou menos?

    – Ah, desde uns 8 ou 10 anos.

    – Então lá naquela época você decidiu que isso seria o melhor para você?

    – Mais ou menos isso.

    – Você deixaria suas economias nas suas mãos quando tinha oito anos?

    – Não.

    – Porque?

    – Eu ia gastar tudo em jogo de vídeo game!

    – Pois é, imaturo não?

    – Sim.

    – E porque deixa a sua vida nas mãos daquele menino de oito anos?

     

    Os adultos tem problemas de adultos. Decisões cujas consequências serão reais. Porém, em várias situações colocam a criança que carregam dentro de si, muitas vezes ferida, para tomar essas decisões. Porém crianças não deveriam ter que tomar decisões por adultos, deveriam ser educadas e protegidas por eles.

    Internamente, todos mantemos histórias sobre quem somos e porque somos assim. Muitas dessas histórias tem o poder de organizar nossas crenças, identidade e comportamentos. Várias delas definem as pessoas com quem que vamos ter relações , a profissão que vamos seguir e como vamos nos relacionar com ela e até nossa auto estima. O problema é que mutias dessas histórias foram criadas por nós quando éramos crianças.

    Embora a criança tenha um lugar dourado hoje em nossa sociedade, a verdade é que ela também comete inúmeros erros e interpretações da realidade que são muito mais uma fantasia composta do que uma percepção. Não é que a criança tenha algo de errado, mas é que ela é imatura. A imaturidade natural da criança a faz tecer histórias e criar explicações sobre si e o mundo que não são úteis, ou são baseadas em critérios inadequados. Assim sendo, tornam-se problemáticas ao serem empregues por um adulto.

    Um exemplo disso são pessoas filhas de pais com problemas com álcool. É comum que, quando adultas, estas pessoas reajam à situações de conflito da mesma maneira que aprenderam quando criança. Tornando-se menor, pedindo “desculpas por existir”, prendendo a respiração, mudas e torcendo para que o pior não aconteça. É natural uma criança reagir assim frente um adulto alcoolizado e agressivo. Porém enquanto essa pessoa, como adulta, mantiver esta mesma resposta, irá colocar-se de maneira por demais frágil em situações de confronto.

    Tendemos a nos identificar com nossas histórias. Assim, a criança pode dizer: “melhor eu ficar quietinha aqui, pequena e ele não via me ferir”. Ora, é compreensível que uma criança faça isso. Porém, o adulto pode manter a mesma frase em situações nas quais ela não é mais adequada ou, sequer, desejável. É importante ajudar a pessoa a perceber “quem” está ali: uma criança amedrontada ou um adulto? A criança vai se esconder e está certa nisso, porém o adulto pode enfrentar uma situação e é importante ajudar este adulto a aparecer.

    Ele aparece, no primeiro momento, ao se dar conta da situação. “Quem sou eu” frente à esta situação é o que nos coloca no jogo. Ao se perguntar isso a pessoa pode fazer uma diferença entre quem ela foi no passado e quem ela é agora. O segundo passo é perguntar-se “como eu posso agir nesta situação?”. O adulto pode explorar outros tipos de resposta, pois já teve mais experiência de vida e tem acesso à mais informações do que a criança. Por fim, sempre, agir. Agir e coletar os resultados de sua ação e fazer isso novamente. É na ação que aprendemos. E na ação, que crescemos.

    Abraços

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