• 11 de abril de 2014

    Pequenas prisões

    – Não gosto de sentir tristeza!

    – Bem, com certeza não é prazeroso, mas o que você tem contra ela?

    – Ah… pare! Tristeza? Ficar aí, chorando pelos cantos…

    – É uma das coisas que fazemos quando tristes… o que mais?

    – Ah sei lá… ficar deprimido sem querer fazer nada…

    – Faz parte também… e qual o lado bom da tristeza?

    – Lado bom?

    – Sim, afinal de contas as emoções tem algo importante para nos falar não é mesmo?

    – É … mas triste… sei lá… tristeza é ruim!

    – E enquanto você pensa nela assim tende a se afastar não é?

    – É.

    – E se tivesse algo importante lá para você?

    – Hum…

     

    Entendo que na vida sempre podemos aprender algo com as situações pelas quais passamos. Mesmo que seja uma situação muito dolorosa para nós. Porém nem todos nós pensamos isso nem todos foram educados da mesma maneira. Muitos de nós aprenderam que existem emoções “certas” e emoções “erradas”, por exemplo. Assim quando sentem as “certas” sentem-se orgulho e quando sentem as “erradas” acham-se fracos e sentem vergonha.

    O mesmo ocorre com a nossa visão de mundo, todos temos uma percepção do que é certo ou do que é errado e buscamos, sempre, seguir estes conceitos para alcançar a felicidade. Lugares, comportamentos, percepções, investimentos; classificamos tudo aquilo que fazemos em certos ou errados. Mas se todos fazem isso, qual é o problema com isso?

    O problema não é a classificação, afinal não é possível ao ser humano viver sem um sistema do mundo, todos criamos uma sistematização, é a maneira de viver a vida “em três dimensões”. Porém muitas vezes a nossa classificação pode ficar pequena demais, rígida demais, inútil demais. Vários de meus clientes com um tempo de terapia  acabam entendendo que seus modelos de mundo acabaram não por ajudá-lo à viver no nele, mas acabaram atrapalhando-o. E é aí que mora o problema.

    No caso das emoções, por exemplo, sabemos que todas (sim, eu disse todas, mesmo a culpa, a raiva, a fragilidade e a inveja) as emoções tem um fator importante em nossas vidas. Elas servem como mensageiras que nos informam sobre algo que não está adequado, ou sobre um determinado curso de ação à tomar – ou parar de tomar. A culpa – grande vilã dos livros de auto-ajuda – por exemplo, é uma emoção muito positiva quando entendemos a sua função: nos alertar para o fato de que o nosso comportamento violou o nosso sistema de regras sobre a vida. A culpa nos faz refletir que aquilo que estamos fazendo não é o que gostaríamos de estar fazendo. Muitas das lições mais importantes de minha vida aprendi com a culpa. Não sentir essa emoção faz com que a pessoa tenha comportamentos inadequados e mantenha-se fazendo isso contra ela própria. Com o tempo a pessoa pode, inclusive, deprimir em detrimento disso.

    Essas pequenas prisões que criamos não levam em conta um pergunta fundamental: o que estou fazendo está me trazendo aquilo que quero que traga? Em outras palavras: não nos comportamos por acaso, mas sim para atingir um determinado fim. Se o meu comportamento não está me trazendo isso, melhor mudar o meu comportamento, a minha visão de mundo e, com isso, ampliar o tamanho da minha prisão. Porque aumentar o tamanho da minha prisão? Porque toda a percepção é só uma percepção. Podemos ampliá-la, mas ela sempre será somente isso, por esta razão que manter-se sempre “vigilante” é importante. A prisão maior pode até ser mais interessante, mas no futuro irá ser limitada da mesma forma que a pequena. Como dizem os existencialistas, somos livres para escolhermos a prisão na qual queremos viver.

    Quais conceitos você tem sobre sua vida? Sobre você? Sobre seus problemas? Já pensou que estes conceitos podem não estar ajudando você à ir adiante ou à sentir-se feliz? Se você fosse pensar diferente, como pensaria? O que pensaria?

    Boa reflexão!

    Abraço

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