• 21 de janeiro de 2015

    Perguntas

    Galileu_observacao

    • Mas eu não sei o que fazer!

    • Claro que sabe, acabou de me dizer que acha que o melhor é sair do emprego!

    • Sim, mas…

    • Mas?

    • E se isso não for o certo?

    • Não sei quanto o certo ou errado, o que poderia tornar isso errado?

    • Ah… não sei… sempre fui uma pessoa respeitável no trabalho, agora pego e saio?

    • O problema é o que fazer ou porque fazer então?

    • Não sei… eu não sei como dizer isso para eles.

    • Dizer o que?

    • Que eu já dediquei muito tempo ali no trabalho e agora quero uma vida diferente para mim…

    • O que te impede de dizer algo próximo disso?

    • Eu não sei se tem algo que me impede… estou certo disso, só não sei como fazer entende?

    • Claro… Você conhece alguém que saberia?

    • Um amigo meu… ele é bem desses que sabe dizer o que pensa.

    • Ótimo… como ele faria?

    • (risos) Eu acho que ele simplesmente diria sabe? Pediria um horário com o chefe, diria e pronto.

    • Que tal lhe parece isso?

     

    Dizem que em ciência quando a pergunta está bem feita temos metade do caminho percorrido. Quando fazemos as perguntas certas o nosso cérebro começa a buscar a solução certa, quando fazemos a pergunta errada o cérebro busca soluções que não são úteis.

    Muitas vezes meus atendimentos tornam-se apenas uma questão de readequar as perguntas que a pessoa já se faz. Neste sentido é impressionante perceber a enorme diferença que a mudança de uma palavra ou da entonação da frase faz. O exemplo acima deixa isso claro quando eu faço a mudança das palavras “O que”, “como” e “porque”. Cada uma delas leva a pessoa a raciocinar e refletir algo distinto.

    Se eu ficasse no “o que devo fazer” estaria conversando com meu cliente sobre o comportamento à ser tomado. Qual deveria ser: calar-se? reprimir a ideia de ter um novo trabalho? falar ao chefe aquilo que deseja? se demitir e começar o novo trabalho? A palavra “o que” se refere ao comportamento, as atitudes que podem/ devem ser empregadas afim de atingir  aquilo que a pessoa deseja.

    Já a palavra “porque” remete às crenças e aos motivos/valores que vão nortear a ação seja ela qual for. O motivo é importantíssimo assim como os valores que estão sendo usados para se chegar numa conclusão e decisão. Se eles não são sinérgicos é complicado ter uma decisão. Finalmente o “como” faz-nos refletir sobre a maneira pela qual devemos empregar a ação escolhida. Ou seja, existem muitas maneiras de dizer ao seu patrão que você quer sair da empresa: gentil, misterioso, furioso, por escrito, através de um amigo, simplesmente parar de ir à empresa.

    Quando você faz uma pergunta adequada a sua mente se abre e a motivação e empolgação voltam à tona. A pergunta certa nos faz refletir na direção correta e ver o problema de uma maneira que percebemos um futuro melhor do que o presente. São aquelas perguntas que nos fazem sorrir, nos empolgar ou dizer “ah, isso”.

    As perguntas inadequadas são aquelas nas quais ficamos girando, girando e nunca chegamos numa conclusão diferente ao mesmo tempo em que não resolvemos o problema. Ou seja, são perguntas que não nos ajudam. Muitas pessoas, por exemplo, chegam ao consultório querendo saber o “porque” de um determinado comportamento. Muitas vezes elas já possuem uma noção adequada e querem mais uma! Então mudo o foco e pergunto: como você faz isso? Em que situações? O que ocorre depois? E essas perguntas abrem uma nova maneira de pensar e de ver a situação que ajuda a pessoa a compreender e modificar o seu comportamento.

    Que perguntas você tem se feito?

    Abraço

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