• 9 de dezembro de 2020

    Atitude passiva e ativa

    – Mas daí não sei se eu estou bem sobre a relação sabe?

    – Como assim?

    – Não sei se é o que é certo para mim.

    – Então, diante dessa briga você questiona a relação certo?

    – Sim.

    – E a sua atitude?

    – Como assim?

    – Ora, ele veio e te falou essas besteiras. Vocês brigaram, ok. Porém, como você se posicionou?

    – Eu fiquei quieta.

    – Precisamente. O que te faz ficar quieta ao invés de falar algo?

    – Ah, não quero ter este trabalho.

    – Sim, mas relações dão trabalho.

     

    Existem muitas formas de encarar a vida, os problemas, as relações. Atitudes passivas e ativas nos colocam em diferentes perspectivas. Não existe uma atitude “certa” ou “errada”, porém é importante saber qual o ponto de vista que adotamos para compreender o que podemos esperar de nossas ações – ou da falta delas.

    Uma atitude ativa envolve olhar para a situação e se perguntar: o que eu posso/quero fazer? É uma percepção que envolve criar um problema e se colocar a resolvê-lo. Quando digo “criar um problema” é em um sentido saudável, ou seja, de uma situação compreender aquilo que precisa mudar e entender qual a ação que você tem que tomar para isso ocorrer. Quando assumimos este ponto de vista, nos colocamos como protagonistas e tendemos a avaliar a nossa ação em termos dos resultados que ela produz.

    Este tipo de envolvimento é importante quando algo realmente requer nossa atenção, quando somos responsáveis ou co-responsáveis por algo (filhos, casamento, namoro, empresa). Estar envolvido ativamente é importante para colocar nossos comportamentos e desejos em prática. É “nos dar trabalho”. Ao mesmo tempo, se uma situação não exige nossa atenção, se não somos responsáveis por ela, ou quando somos impotentes colocar-se em um papel ativo pode lhe causar problemas. É a situação de tentar resolver o problema de outra pessoa, ou de concertar algo que não tem concerto ou que não precisa do mesmo.

    Colocar-se de maneira passiva envolve compreender seus limites em relação à algo ou outra pessoa. De uma forma simples, a atitude do fazendeiro após o plantio é relativamente passiva. Ele cuida do ambiente, mas quem cresce é a planta. Se uma seca ocorrer, ele pode fazer muito pouco. Embora triste, não é culpa dele. A passividade é importante quando não temos responsabilidade sobre algo. Ser passivo neste sentido é importante, pois nos coloca em nosso “devido lugar”.

    O sentimento de passividade incomoda muitas pessoas por estar ligado a ideias de estagnação ou de impotência. E muitas vezes trata-se disso mesmo, porém são casos em que isso é o “saudável”. Ao mesmo tempo, colocar-se de maneira passiva quando temos responsabilidade por algo ou quando isso demanda nossa ação é problemático. Este é o caso da negligência. Quando algo requer nossa ação, precisamos nos colocar em papel ativo e assumir a dianteira para resolver os problemas, ficar de maneira passiva e colocar a culpa nos outros, não resolve a situação.

    Assim tanto um ponto de vista quanto o outro possuem o seu momento de ser em nossas vidas. Não é possível ser ativo o tempo todo e nem passivo. Compreender se o momento exige minha participação ou exige que eu fique de fora e observe é muito importante em relações e para a manutenção da saúde mental e emocional. Saber, por exemplo, quando precisamos apenas ouvir alguém e quando devemos nos defender é um divisor de águas na vida de muitas pessoas. Isto é um exercício entre conhecer seus limites na atividade e na passividade.

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