• 3 de maio de 2021

    Porque eu não acho o sentido da minha vida?

    – Mas porque a minha vida não tem sentido para mim Akim?

    – Porque ela teria?

    – Ué, porque é a minha vida oras!

    – E?

    – Como assim “e” Akim, credo!

    – Ora, só porque a vida é sua, não implica que ela tenha que ter um sentido.

    – Que droga.

    – Que sentido você dá à sua vida. Ela não precisa de sentido, quem precisa é você.

    – Minha vida não precisa de sentido?

    – Não, ela não precisa. Ela continua seguindo o seu fluxo aí dentro: seu coração bate, seu corpo cresce mesmo sem sentido. Quem precisa de um é você.

     

     

    Onde buscar o sentido da vida? Porque ele é importante para nós? Muitas pessoas querem encontrar o sentido da vida, mas muitas vezes procuram a coisa errada num lugar errado.

    Em outros posts já expliquei que o sentido da vida não pode ser encontrado como quem encontra as chaves do carro. O sentido da vida, por ser de natureza mental, não pode ser visto ou tocado. Esta condição faz com que a “busca” percorra caminhos diferentes dos que as pessoas usualmente empregam para encontrar o tão desejado sentido da vida.

    Como disse acima, a vida não precisa de sentido, quem precisa somos nós. É o self quem precisa sentir que sua vida possui rumo e direção. Na Idade Média e em culturas baseadas em castas o sentido da vida é mais claro, ele é socialmente pré determinado. Em nossa cultura “livre”, temos que construir o sentido de nossa vida sozinho, ele não nos é dado.

    Um resumo até aqui: (1) a vida não precisa de sentido, esta é uma busca do self; (2) o sentido da vida não será encontrado em algo concreto, por ser de natureza mental e (3) o sentido não nos é dado, é construído pelo indivíduo. Com isso podemos perceber que você não encontrará o sentido de sua vida em uma viagem, na aquisição de um produto, perguntando para alguém o que é o sentido da vida e muito menos culpando a existência por não ter lhe dado uma vida com significado.

    O sentido não é descoberto, mas sim atribuído. Esta é a grande sacada. Uma grande viagem fará sentido quando lhe atribuirmos sentido. O mesmo vale da compra de um produto ou sobre a conversa com um guru ou psicólogo. Porém, para realizar este ato é necessário estar em contato com este sentimento de sentido da vida. Como fazer isso?

    É importante compreender que o “sentido da vida” é o “produto final” de um processo de criação. Onde este processo começa? Em um sentimento ou sensação do qual a maior parte de nós tende a fugir: a angústia. Toda pessoa que se sente angustiada está no início do processo de construção do sentido da vida. Se ela se mantiver em contato com a angústia, conseguirá criar para si um bom produto final.

    A angústia nada mais é que energia sem foco, desejo sem meta, vontade sem fim. Ela incomoda, nos contorce, traz medos, dúvidas e incertezas à tona. Tudo isso parte de um processo de criação de sentido da vida. Nascer não é fácil, dar sentido à vida também não. A partir da angústia e do contato com ela é que você poderá ver de maneira mais clara aquilo que realmente serve para expressar quem você é naquele momento. A angústia, embora dolorosa, tem a característica de ser absurdamente crua: o que serve serve, o que não serve, não serve. Não temos dúvidas quando sentimos angústia e também não temos dúvidas quando ela se transforma em sentido. A sensação é forte demais para ser confundida.

    Portanto, boa parte das pessoas não conseguem criar sentido para suas vidas pelo fato de negarem sua matéria prima: a angústia. Buscar o sentido da vida, no primeiro momento é buscar e aceitar a angústia dentro de você. Estar atento à ela e ao que ela reage. Podem ser diversas coisas, mas elas precisam reagir à angústia. Então você começa a compreender o que é o sentido da vida.

    Abraço

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