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	<title>Arquivos Akim Rohula Neto - Akim Neto Psicólogo Clínico</title>
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		<title>Possibilidade e consequência</title>
		<link>https://akimneto.com.br/2021/12/24/possibilidade-e-consequencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[lympadmin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Dec 2021 22:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gotas]]></category>
		<category><![CDATA[Akim Rohula Neto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; O que você quer? &#8211; Eu queria poder fazer o que eu quero, sem me sentir culpado. &#8211; Isso é possível? &#8211; Nossa&#8230; se não for&#8230; que droga né? &#8211; Pois é. &#8211; Mas porque não seria possível eu fazer o que eu quero? &#8211; É que &#8220;fazer o que eu quero&#8221; envolve um &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2021/12/24/possibilidade-e-consequencia/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">Possibilidade e consequência</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; O que você quer?</p>
<p>&#8211; Eu queria poder fazer o que eu quero, sem me sentir culpado.</p>
<p>&#8211; Isso é possível?</p>
<p>&#8211; Nossa&#8230; se não for&#8230; que droga né?</p>
<p>&#8211; Pois é.</p>
<p>&#8211; Mas porque não seria possível eu fazer o que eu quero?</p>
<p>&#8211; É que &#8220;fazer o que eu quero&#8221; envolve um sistema de crenças e moral pessoais. Quando ferimos este sistema sentimos culpa.</p>
<p>&#8211; Hum&#8230; mas eu não quero mais esse sistema então.</p>
<p>&#8211; E será possível &#8220;se livrar&#8221; dele?</p>
<p>&#8211; Orra&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por mais que &#8220;possibilidade&#8221; seja a palavra da moda, exista outra que interfere diretamente nela: realidade. Todo comportamento traz consequências e é localizado dentro de um contexto, assim sendo, nem tudo é possível. E acredite se quiser, isso é bom!</p>
<p><span id="more-6431"></span></p>
<p>O problema que a moda das possibilidades gera é que ela toma tudo como possível. Dizer que tudo é possível, no entanto, é um contra senso. Uma vez que existem regras, nem tudo é possível. Imaginar que tudo é possível, nos faz ousar e ir além. Porém, é importante compreender que isso é uma &#8220;mentira necessária&#8221;. Em outras palavras: acreditar de verdade que tudo é possível, é infantilidade. Usar esta ideia como um suporte cognitivo para ir além é uma atitude mais madura.</p>
<p>Quando as pessoas pensam em uma ação, em geral, visam o objetivo de curto prazo. O curto prazo nem sempre é interessante. Por exemplo, imagine que inventamos uma forma de comer sem engordar. Maravilhoso não é? Porém, pense novamente: o que aconteceria com a alimentação mundial, se ninguém mais engordasse ao comer? Em primeiro lugar entra o problema da nutrição, em segundo lugar o da quantidade. Será que mediríamos o quanto comemos ou iríamos nos fartar toda vez que sentamos para comer? Caso a segunda possibilidade ocorresse, pense em como a indústria de alimentos precisaria reagir ao aumento da demanda.</p>
<p>Refletir sobre consequências nos faz pensar naquilo que é necessário ocorrer para que algo ocorra. No diálogo que escrevi no começo do post, estava verificando isso com meu cliente. Livrar-se da sensação de culpa era algo &#8220;bom&#8221;. Porém, ao livrar-se disso ele estaria se livrando de princípios que ele mesmo apreciava. Assim sendo, algo &#8220;ruim&#8221;. Manter as noções de certo e errado (sejam elas quais forem), nos impede de fazer &#8220;o que queremos&#8221;, ou, melhor dizendo, dá um valor ao que queremos fazer.</p>
<p>Uma mudança implica em outras mudanças. Verificar se o impacto dessas mudanças secundárias será positivo é fundamental para um processo de mudança adequado e alicerçado. Isso, porém, cobra o preço de não viabilizar as escolhas mediante nossos impulsos e desejos do momento. Porém, refletir, manter o auto controle e verificar o que é melhor para nós é exatamente a característica do adulto maduro.</p>
<p>Em tempos nos quais o impulso &#8220;eu quero&#8221; valida qualquer coisa a maturidade é a grande perda. Isso também é uma consequência. É possível fazermos tudo o que queremos e mantermos uma civilização? Não, não creio nisso. E isso não tem a ver com repressão, pelo contrário, tem a ver com realidade: nem sempre duas pessoas concordam com algo. Assim sendo se cada um de nós fizer apenas aquilo que quer sem levar em conta as consequências teremos graves problemas.</p>
<p>Em meu consultório vivo recebendo pessoas que dizem: &#8220;mas eu não pensei nisso&#8221;. O problema quase nunca é esse, mas sim a opção em manter-se negligente e continuar &#8220;sem pensar&#8221;. O convite a refletir sobre as consequências pode soar como aprisionador num primeiro momento. Porém, quando vemos que nem sempre nossos impulsos são bons para nós, a reflexão sobre as consequências de nossos atos é o que realmente nos liberta.</p>
<p>Abraço</p>
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		<item>
		<title>Todo impulsivo é um planejador compulsivo</title>
		<link>https://akimneto.com.br/2021/12/22/todo-impulsivo-e-um-planejador-compulsivo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[lympadmin]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Dec 2021 22:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gotas]]></category>
		<category><![CDATA[Agressão]]></category>
		<category><![CDATA[Akim Rohula Neto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Mas Akim, eu não sei o que me dá! &#8211; Não? &#8211; Não. &#8211; Me parece raiva. &#8211; Sim, sim, me dá raiva, porque quando a pessoa começa a me criticar eu já vou&#8230; sabe né? &#8211; Não, vai o que? &#8211; Ah, já fica aquela vozinha na minha cabeça dizendo &#8220;não leve desaforo &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2021/12/22/todo-impulsivo-e-um-planejador-compulsivo/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">Todo impulsivo é um planejador compulsivo</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Mas Akim, eu não sei o que me dá!</p>
<p>&#8211; Não?</p>
<p>&#8211; Não.</p>
<p>&#8211; Me parece raiva.</p>
<p>&#8211; Sim, sim, me dá raiva, porque quando a pessoa começa a me criticar eu já vou&#8230; sabe né?</p>
<p>&#8211; Não, vai o que?</p>
<p>&#8211; Ah, já fica aquela vozinha na minha cabeça dizendo &#8220;não leve desaforo para casa, quem esse cara pensa que é&#8221;.</p>
<p>&#8211; Sei e o que acontece depois?</p>
<p>&#8211; Bom&#8230; fica isso, o sangue ferve e daí já viu né? É meio que tipo, esperar para estourar.</p>
<p>&#8211; Entendi, e você fica ali né? Não sai dali por nada?</p>
<p>&#8211; Não, não posso levar desaforo para casa oras!</p>
<p>&#8211; É porque se você pudesse, era só virar as costas e ir embora, daí não seria tão impulsivo.</p>
<p>&#8211; Mas eu não consigo, quando vi, já foi.</p>
<p>&#8211; Ao mesmo tempo você me descreveu bem o processo não?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Impulsividade é a habilidade de agir por impulso. Muito adequada para muitas situações pode salvar sua pele em momentos de tensão. Porém se essa é a sua resposta para tudo, terá problemas. Que tal planejar sua vida de forma diferente?</p>
<p><span id="more-6574"></span></p>
<p>Se o título deste post chamou sua atenção, vou repeti-lo: todo impulsivo é um planejador compulsivo. A única exceção que encontrei até hoje são pessoas com danos neurológicos concretos. A impulsividade é uma maneira de responder ao mundo, ela pode ser muito útil quando empregada numa situação adequada. Assim sendo, muitas pessoas confundem o fato de gostarem de agir impulsivamente com o fato de serem vítimas disso.</p>
<p>A impulsividade é uma escolha, assim como a agressividade ou a passividade. O impulsivo assume determinados valores e regras de conduta pelas quais se guia. Em geral estão relacionadas com confrontos, relações de poder e superioridade. O &#8220;impulso&#8221; é um comportamento conhecido do impulsivo. Todos os com quem trabalhei sabem exatamente o que fazem, como e porque o fazem. A questão do impulsivo está na recusa em assumir a impulsividade como escolha.</p>
<p>É mais simples agir de maneira agressiva, visando apenas a manutenção do status quo no qual se encontra naquele momento. O impulsivo, em geral, tem certo receio em sentir-se &#8220;por baixo&#8221; em alguma situação. Quando se vê em algum cenário que possa fazê-lo sentir-se assim, tende a reagir &#8220;impulsivamente&#8221;. A impulsividade funciona bem neste tipo de cenário porque assusta as demais pessoas e, com isso o impulsivo mantém-se &#8220;por cima&#8221;. Impulsivos odeiam pessoas muito calmas que eles não conseguem manipular a partir de sua &#8220;surtadinha&#8221;.</p>
<p>Quando afirmo que eles são controladores, o que quero dizer é o seguinte: o impulsivo não cria a rotina que o leva para a impulsividade apenas no momento. Ele a nutre diariamente com atos físicos e mentais. O impulsivo trabalha com sua mente todos os dias para explodir na hora certa. Você verá que  a maior parte dos impulsivos estoura com determinados temas e não com outros (e eles sabem disso). Assim sendo, isso me parece mais fruto de um planejamento do que mero &#8220;impulso&#8221;.</p>
<p>Ser impulsivo, não significa não ser controlado. Isso pode chocar muitas pessoas, mas a característica de reagir impulsivamente não tem como requisito não saber o que está fazendo ou não ter consciência. Pelo contrário, impulsivos clássicos tendem a negar o que fizeram e minimizar as consequências, prova clara de que sabem o que fazem. A desconexão emocional entre o ato e a escolha é o grande problema, pois protege esta atitude. Infelizmente, também mantém a pessoa com uma reação de baixa eficácia.</p>
<p>Abraço</p>
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		<item>
		<title>Olhar para o passado: tristeza e saudades</title>
		<link>https://akimneto.com.br/2021/12/17/olhar-para-o-passado-tristeza-e-saudades/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[psicoakim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Dec 2021 22:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gotas]]></category>
		<category><![CDATA[Akim Rohula Neto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Eu sinto muito falta dele. &#8211; Eu sei. &#8211; Mas não era para ser assim. &#8211; Porque não? &#8211; Ah, porque não era mais o que eu queria, não estava feliz na relação! &#8211; Sim, mas era uma relação, você teve sonhos e por pior que estivesse, gostou dele. &#8211; Mas e daí&#8230; essa &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2021/12/17/olhar-para-o-passado-tristeza-e-saudades/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">Olhar para o passado: tristeza e saudades</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Eu sinto muito falta dele.</p>
<p>&#8211; Eu sei.</p>
<p>&#8211; Mas não era para ser assim.</p>
<p>&#8211; Porque não?</p>
<p>&#8211; Ah, porque não era mais o que eu queria, não estava feliz na relação!</p>
<p>&#8211; Sim, mas era uma relação, você teve sonhos e por pior que estivesse, gostou dele.</p>
<p>&#8211; Mas e daí&#8230; essa saudade que eu sinto&#8230; o que eu faço com ela?</p>
<p>&#8211; O que você tem feito?</p>
<p>&#8211; Fico brigando comigo&#8230; não sei se volto ou não volto&#8230; pela saudades eu volto, mas pelo passado não.</p>
<p>&#8211; Você volta pelo medo que tem da saudade e não por ela.</p>
<p>&#8211; Medo?</p>
<p>&#8211; É&#8230; porque você não pode, simplesmente, ficar com a lembrança do que passou?</p>
<p>&#8211; Não sei ao certo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O fim de uma relação em geral traz tristeza consigo. Não há como negar o vínculo que foi criado. Por pior que a relação fosse, ainda assim, dois seres humanos se vincularam. Porém lidar com sentimentos como a tristeza e a saudade pode ser um desafio para muitas pessoas que desejam terminar e se manter assim.</p>
<p><span id="more-6740"></span></p>
<p>Tristeza é uma emoção sentida ao perder-se algo. Em uma relação, nem sempre fica claro o que se &#8220;perdeu&#8221;.  Mesmo quando uma relação está ruim, existe a perda, pelo fato de que havia vínculo. Muitas vezes idealizamos as pessoas através de detalhes difíceis de perceber. . Traços como &#8220;força&#8221; ou &#8220;delicadeza&#8221; podem servir como base para que se crie a imagem de uma pessoa &#8220;protetora&#8221; ou &#8220;cuidadora&#8221;. Ao fim da relação esta projeção também se rompe e nem sempre é fácil lidar com isso. Sempre existe o fim de um sonho, afinal todos imaginamos como será a relação a longo prazo.</p>
<p>Saudades é o sentimento que advém da perda. A saudade é ligada às memórias boas daquilo que tivemos com outra pessoa. Lembra-se daquilo que foi bom e sentimos saudades. Principalmente no começo do fim, pode ser algo difícil de lidar. Ela está baseada em vivências reais, ou seja, experiências e acaba sendo mais concreta e fácil de detectar do que a tristeza. A saudade é conviver com a ausência e pessoas que lidam bem com esta emoção tendem a ter em si elementos daquilo que se foi e tratam isso como algo pessoal.</p>
<p>O que mais vejo em consultório são duas reações: a negação dessas emoções ou a fuga das sensações que elas provocam. Esta segunda é tanto perniciosa para a pessoa e para a relação. Em geral, pessoas que tem problemas em terminar e manter o término acabam voltando com o conjugue ou tendo pequenas aventuras (&#8220;remembers&#8221;). Em ambos os casos o desejo é o mesmo: terminar com a dor que a saudade e a tristeza trazem. Porém ao fazer isso, terminam confusos e não conseguem &#8220;resolver&#8221; nenhuma das duas emoções.</p>
<p>Ocorre que a dor sentida ao fim de uma relação é natural. O mesmo vale com a saudade. A deturpação da emoção ocorre quando se interpreta que pelo fato de doer é necessário voltar. Isso não resolve a tristeza e nem a saudade. Esta última existe justamente para sinalizar o fim. Sentimos saudades quando aquilo que havia não está mais diante de nós. Quando dizemos &#8220;matar a saudades&#8221;, a expressão é adequada, pois ao ter novamente a pessoa &#8220;matamos&#8221; a saudade, ela não tem mais função. Ela apenas existe para mostrar o vazio. Logo, de forma geral, é mais adequado suportar a dor da saudade, pois esta é a sua função.</p>
<p>A noção de &#8220;voltar&#8221; por causa da saudade é estranha. As pessoas esperam &#8220;voltar&#8221; para uma história diferente. Porém, não é possível disso ocorrer. É como ler o mesmo livro duas vezes seguidas e esperar um final diferente. &#8220;Voltar&#8221; como o nome já diz é ir para a mesma história novamente. Mesma história, mesmo fim. O começo pode até ser interessante, visto que se está &#8220;matando a saudade&#8221;, isso traz alívio e prazer, porém, não cria estrutura &#8211; que foi o motivo da relação terminar. Com isso é necessário primeiro terminar uma história, gerar e suportar distância. Caso crie-se uma nova paixão, então é possível ir para uma nova relação com aquela pessoa.</p>
<p>Por fim, não se questionam as decisões tomadas por causa da dor da saudade e da tristeza. Essa dor faz parte do fim, logo é inadequado buscar tirá-las de cena. Suportar e compreender são as maneiras mais úteis para lidar com elas. É para isso que elas servem, não para serem retiradas de cena pela sua natureza incômoda. O incômodo sentido é justamente a força motriz da mudança, sem ela não há a possibilidade de novas relações.</p>
<p>Abraço</p>
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		<title>Rejeição, rejeitado e rejeitador</title>
		<link>https://akimneto.com.br/2021/12/10/rejeicao-rejeitado-e-rejeitador/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[lympadmin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Dec 2021 21:34:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gotas]]></category>
		<category><![CDATA[Akim Rohula Neto]]></category>
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		<category><![CDATA[Medo]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião do outro]]></category>
		<category><![CDATA[Papel na relação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Akim, você não tem ideia de como é se sentir assim. &#8211; Talvez não&#8230; como é? &#8211; É saber que você nunca, nunca vai poder sentir aquela emoção de ser acolhido e bem quisto. &#8211; Uau&#8230; que passado poderoso você tem. Nunca mais? Então ele ter lhe rejeitado, te exclui do &#8220;rol&#8221; de pessoas &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2021/12/10/rejeicao-rejeitado-e-rejeitador/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">Rejeição, rejeitado e rejeitador</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Akim, você não tem ideia de como é se sentir assim.</p>
<p>&#8211; Talvez não&#8230; como é?</p>
<p>&#8211; É saber que você nunca, nunca vai poder sentir aquela emoção de ser acolhido e bem quisto.</p>
<p>&#8211; Uau&#8230; que passado poderoso você tem. Nunca mais? Então ele ter lhe rejeitado, te exclui do &#8220;rol&#8221; de pessoas aceitas?</p>
<p>&#8211; Falando assim até parece exagero da minha parte.</p>
<p>&#8211; É exagero.</p>
<p>(silêncio) &#8211; Porque? Não acha que doeu.</p>
<p>&#8211; Acredito que &#8220;doeu&#8221;. No passado. E hoje, porque você ainda revive, todos os dias aquela cena? Ou seu pai lhe diz todos os dias &#8220;eu não amo você&#8221;?</p>
<p>&#8211; Não&#8230; ele não diz.</p>
<p>&#8211; Veja, sei que doeu, mas o fato é que você está construindo sua vida em cima disso. E esse não é um bom alicerce. Que tal tentar se dar outro? Um no qual sua felicidade possa florir?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Muitas pessoas sofrem com a rejeição. Porém o sofrimento causado pela rejeição só deveria ser sentido uma vez, ao ser rejeitado. Porque as pessoas mantém este sentimento por muitos anos e até definem suas vidas com base nele?</p>
<p><span id="more-6686"></span></p>
<p>O rejeitado tem como dinâmica mental comparar o passado que foi de fato com aquele passado desejado. De um lado, visualiza aquilo que poderia ter acontecido e contrasta com o que ocorreu se atendo às partes negativas. Esta comparação gera a sensação de injustiça e impotência típicas do sentimento de rejeição. Além disso, o rejeitado também cria, muitas vezes sem perceber, um &#8220;eu&#8221; para cada versão do passado que ele cria em sua mente.</p>
<p>O sentimento de rejeição só é possível por causa deste contraste entre o que deveria ter sido e o que foi. Quando focamos na questão do &#8220;eu&#8221;, ou da identidade, a questão se torna mais complexa. O rejeitado cria para si um modelo de quem ele foi de fato (o eu rejeitado) e de quem ele poderia ter sido caso não fosse rejeitado. Em geral as pessoas se magoam ao ver quem eles são em detrimento de quem poderiam ter sido caso tudo fosse como eles esperavam que fosse.</p>
<p>Esta dinâmica, então faz com que o rejeitado lute contra o passado e também contra si. Não raro pessoas que tem problemas com rejeição também se rejeitam. O mecanismo é este citado acima: comparação entre quem são e quem deveriam ter sido. O problema repousa no fato cruel de que quem eles são ou poderiam ter sido é algo que está nas mãos de um terceiro: aquele que o rejeitou no passado. Desta forma a injustiça, impotência e desprezo se instalam.</p>
<p>A mudança está em aceitar aquilo que passou do jeito que ocorreu. Aceitar a dor pode ser mais difícil do que lutar contra ela e boa parte das pessoas que são rejeitadas não querem aceitar isso. A aceitação faz com que a pessoa tenha que se fazer uma pergunta: o que farei com o que fizeram de mim? Esse questionamento faz com que ela retome a responsabilidade por sua existência e destino, em geral, algo que os rejeitados jogam para cima dos rejeitadores.</p>
<p>Uma das perguntas que faço é: você pode ser rejeitado? Pode parecer estranha, porém leva à uma reflexão profunda. Boa parte das pessoas reclamam da rejeição e sabemos que ela pode ter efeitos nocivos. Por outro lado trata-se de um fenômeno super comum pelo qual todos os seres humanos passam ao longo de suas vidas. Sem a rejeição não existiriam grupos, afinal de contas rejeitar é escolher também. Logo, perceber que não há nada de pessoal em uma rejeição é fundamental para aceitar o passado (e a si mesmo).</p>
<p>Se a pessoa entende a rejeição como algo normal e entende que seu passado foi real ela poderá abrir-se para o futuro. É algo como dizer-se: &#8220;ok, não consegui exatamente o que quis, mas o que vou fazer comigo daqui em diante?&#8221;. Não podemos mudar o passado, isso é um fato. Logo não adiante brigarmos com ele e nem com quem nos tornamos a partir dele. Tudo o que nos resta, no presente, é buscar como iremos ao futuro de uma maneira melhor.</p>
<p>Abraço</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://akimneto.com.br/2021/12/10/rejeicao-rejeitado-e-rejeitador/">Rejeição, rejeitado e rejeitador</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://akimneto.com.br">Akim Neto Psicólogo Clínico</a>.</p>
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		<title>Amor, o maior dos problemas</title>
		<link>https://akimneto.com.br/2021/12/08/amor-o-maior-dos-problemas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[psicoakim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Dec 2021 22:43:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Mas meu pai não me entende. &#8211; Exato. &#8211; Exato? &#8211; Sim. Ele não o entende. Então, qual o problema? &#8211; Eu queria que ele entendesse? &#8211; Não é isso? &#8211; É&#8230; pensando bem é. &#8211; E te dói ver que ele não entende e mesmo que o fizesse, provavelmente não concordaria com você. &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2021/12/08/amor-o-maior-dos-problemas/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">Amor, o maior dos problemas</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Mas meu pai não me entende.</p>
<p>&#8211; Exato.</p>
<p>&#8211; Exato?</p>
<p>&#8211; Sim. Ele não o entende. Então, qual o problema?</p>
<p>&#8211; Eu queria que ele entendesse?</p>
<p>&#8211; Não é isso?</p>
<p>&#8211; É&#8230; pensando bem é.</p>
<p>&#8211; E te dói ver que ele não entende e mesmo que o fizesse, provavelmente não concordaria com você.</p>
<p>&#8211; Sim.</p>
<p>&#8211; Então, lhe dói ver que está &#8220;sozinho&#8221; nessa?</p>
<p>&#8211; Sim&#8230;</p>
<p>Muitos clientes, quando tratam das relações com pessoas importantes, falam sobre raiva, medo, infelicidade e mágoa como os problemas mais dolorosos. Porém, nem sempre isso se mostra verdadeiro, essas emoções, embora importantes, muitas vezes são apenas a superfície de um problema muito maior: o amor.</p>
<p><span id="more-6768"></span></p>
<p>Falar do amor como um problema é chocante em nossa sociedade. &#8220;All we need is love&#8221;, cantam os Beatles, mostrando que ele é solução e não problema. Porém os versos adocicados das músicas de amor, não falam sobre tudo o que o amor é capaz de fazer. Quando pensamos na expressão &#8220;crime passional&#8221;, temos algo relacionado à paixão e ao amor que o expulsa dessa categoria de emoção &#8220;soft&#8221;. O amor, meus caros pós românticos, mata, segura, e impede a vida de continuar plenamente. Ele não é, como diz a expressão: &#8220;apenas flores&#8221;.</p>
<p>Porém, não se trata de mostrar o amor como um vilão, longe disso. Tratar do amor como &#8220;o maior do problemas&#8221;, como diz o título do post, significa olhar para sua dinâmica de uma maneira mais ampla que aquela oferecida pelo romantismo. Raiva, medo ou mágoa são emoções importantes. Porém, no contexto de um relacionamento afetivo, elas, em geral, vem após o amor. Não é difícil compreender que dificilmente ficaríamos magoados com alguém se não amássemos essa pessoa.</p>
<p>O problema mais profundo quando ficamos com raiva de alguém é: como lidar com o amor e a raiva ao mesmo tempo? Em relações afetivas, principalmente naquelas que são importantes, este é sempre o dilema. Então vem o problema do amor. Pois se ele é pequeno ou cego, tendemos a ser românticos e sofrer por amor. Se ele se torna maior, se ele enxerga o outro e seus próprios limites, então amamos verdadeiramente. Amar dessa maneira, no entanto, exige de nós. Nos faz perder a inocência e enfrentar a realidade.</p>
<p>Por exemplo, muitas pessoas tem o anseio em se abrir com seus familiares. Porém não o fazem. Dizem que não o fazem por temer uma reprimenda ou porque seus familiares não dão tanta atenção. Então a pergunta: qual o problema com isso? A verdadeira questão reside em: eu gostaria que aqueles que amo não me dessem limites ou me dessem mais atenção que eu recebo. Essa é a dor verdadeira. Uma dor relativa ao amor. Este também é um amor pequeno. Ele não consegue ver, por exemplo, que cada um dá aquilo que tem. Nem todos &#8211; mesmo os que amamos &#8211; vão sempre concordar conosco.</p>
<p>O amor maduro, que nos faz crescer, olha para este fato. Ele não pretende receber mais atenção do que recebe. Ele compreende o limite e aceita. Ama, dentro desses limites e não fora deles. Não ama no ideal, ama no real. Nesse sentido, amar se torna algo &#8220;menor&#8221;, pois está ligado diretamente à realidade e não aquilo que &#8220;deveria ser&#8221;, ao ideal (e, afinal de contas, quem define o ideal?). Porém é &#8220;menor&#8221; e real. Este amor de fato cria as coisas tal como podem ser criadas. Sem conformismo, mas com os pés no chão. Então o amor passa a ser solução e não mais problema.</p>
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		<title>Adultos ou crianças?</title>
		<link>https://akimneto.com.br/2021/12/03/adultos-ou-criancas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[psicoakim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Dec 2021 21:30:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Mas eu sempre fui assim Akim! &#8211; Sim, eu sei. Desde quando, mais ou menos? &#8211; Ah, desde uns 8 ou 10 anos. &#8211; Então lá naquela época você decidiu que isso seria o melhor para você? &#8211; Mais ou menos isso. &#8211; Você deixaria suas economias nas suas mãos quando tinha oito anos? &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2021/12/03/adultos-ou-criancas/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">Adultos ou crianças?</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Mas eu sempre fui assim Akim!</p>
<p>&#8211; Sim, eu sei. Desde quando, mais ou menos?</p>
<p>&#8211; Ah, desde uns 8 ou 10 anos.</p>
<p>&#8211; Então lá naquela época você decidiu que isso seria o melhor para você?</p>
<p>&#8211; Mais ou menos isso.</p>
<p>&#8211; Você deixaria suas economias nas suas mãos quando tinha oito anos?</p>
<p>&#8211; Não.</p>
<p>&#8211; Porque?</p>
<p>&#8211; Eu ia gastar tudo em jogo de vídeo game!</p>
<p>&#8211; Pois é, imaturo não?</p>
<p>&#8211; Sim.</p>
<p>&#8211; E porque deixa a sua vida nas mãos daquele menino de oito anos?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os adultos tem problemas de adultos. Decisões cujas consequências serão reais. Porém, em várias situações colocam a criança que carregam dentro de si, muitas vezes ferida, para tomar essas decisões. Porém crianças não deveriam ter que tomar decisões por adultos, deveriam ser educadas e protegidas por eles.</p>
<p><span id="more-6719"></span></p>
<p>Internamente, todos mantemos histórias sobre quem somos e porque somos assim. Muitas dessas histórias tem o poder de organizar nossas crenças, identidade e comportamentos. Várias delas definem as pessoas com quem que vamos ter relações , a profissão que vamos seguir e como vamos nos relacionar com ela e até nossa auto estima. O problema é que mutias dessas histórias foram criadas por nós quando éramos crianças.</p>
<p>Embora a criança tenha um lugar dourado hoje em nossa sociedade, a verdade é que ela também comete inúmeros erros e interpretações da realidade que são muito mais uma fantasia composta do que uma percepção. Não é que a criança tenha algo de errado, mas é que ela é imatura. A imaturidade natural da criança a faz tecer histórias e criar explicações sobre si e o mundo que não são úteis, ou são baseadas em critérios inadequados. Assim sendo, tornam-se problemáticas ao serem empregues por um adulto.</p>
<p>Um exemplo disso são pessoas filhas de pais com problemas com álcool. É comum que, quando adultas, estas pessoas reajam à situações de conflito da mesma maneira que aprenderam quando criança. Tornando-se menor, pedindo &#8220;desculpas por existir&#8221;, prendendo a respiração, mudas e torcendo para que o pior não aconteça. É natural uma criança reagir assim frente um adulto alcoolizado e agressivo. Porém enquanto essa pessoa, como adulta, mantiver esta mesma resposta, irá colocar-se de maneira por demais frágil em situações de confronto.</p>
<p>Tendemos a nos identificar com nossas histórias. Assim, a criança pode dizer: &#8220;melhor eu ficar quietinha aqui, pequena e ele não via me ferir&#8221;. Ora, é compreensível que uma criança faça isso. Porém, o adulto pode manter a mesma frase em situações nas quais ela não é mais adequada ou, sequer, desejável. É importante ajudar a pessoa a perceber &#8220;quem&#8221; está ali: uma criança amedrontada ou um adulto? A criança vai se esconder e está certa nisso, porém o adulto pode enfrentar uma situação e é importante ajudar este adulto a aparecer.</p>
<p>Ele aparece, no primeiro momento, ao se dar conta da situação. &#8220;Quem sou eu&#8221; frente à esta situação é o que nos coloca no jogo. Ao se perguntar isso a pessoa pode fazer uma diferença entre quem ela foi no passado e quem ela é agora. O segundo passo é perguntar-se &#8220;como eu posso agir nesta situação?&#8221;. O adulto pode explorar outros tipos de resposta, pois já teve mais experiência de vida e tem acesso à mais informações do que a criança. Por fim, sempre, agir. Agir e coletar os resultados de sua ação e fazer isso novamente. É na ação que aprendemos. E na ação, que crescemos.</p>
<p>Abraços</p>
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		<item>
		<title>Sobre aquilo que não podemos ver</title>
		<link>https://akimneto.com.br/2021/11/26/sobre-aquilo-que-nao-podemos-ver/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[psicoakim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Nov 2021 21:00:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Eu não consigo trabalhar direito com essa ansiedade Akim. &#8211; Sim, depois do nosso último trabalho ficou claro isso para mim. &#8211; E o que eu faço então, não tem solução? &#8211; Bem, a questão é que isso está além de você. &#8211; Além de mim? &#8211; Sim, eu acredito que precisamos não apenas &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2021/11/26/sobre-aquilo-que-nao-podemos-ver/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">Sobre aquilo que não podemos ver</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Eu não consigo trabalhar direito com essa ansiedade Akim.</p>
<p>&#8211; Sim, depois do nosso último trabalho ficou claro isso para mim.</p>
<p>&#8211; E o que eu faço então, não tem solução?</p>
<p>&#8211; Bem, a questão é que isso está além de você.</p>
<p>&#8211; Além de mim?</p>
<p>&#8211; Sim, eu acredito que precisamos não apenas trabalhar a sua relação com seu pai e com o trabalho, mas precisamos de seu pai aqui na sessão.</p>
<p>&#8211; Do meu pai?</p>
<p>&#8211; É, ele faz parte desse processo, ficou claro semana passada.</p>
<p>&#8211; É&#8230; pensando bem, falei mais dele do que de qualquer outra coisa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É comum a psicoterapia de alguém &#8220;estagnar&#8221;, ou seja, o avanço ser interrompido. Cabe aos psicólogos buscarem maneiras de compreender o que ocorreu. Muitas vezes isso pode ser um problema que envolve a relação terapêutica. Em outros casos envolve problemas familiares e, em alguns também envolve problemas que vão além da família de origem de cada um.</p>
<p><span id="more-6732"></span></p>
<p>Gosto de perceber o desenvolvimento da psicologia não da maneira tradicional, onde cada linha é uma coisa separada da outra. Percebo os movimentos como complementares. A análise das pessoas é muito importante, o foco no indivíduo e seus problemas alavancou todas as escolas de psicologia e, em última instância, continua sendo o foco dela como um todo. Porém desde o desenvolvimento das terapias sistêmicas, um novo foco emergiu: a família, o grupo, o social. Olhar para o indivíduo sem prestar atenção nesses níveis pode estagnar um processo e não dar a devida atenção à alguns problemas e questões fundamentais.</p>
<p>A teoria dos sistemas nos mostrou que o sintoma de uma pessoa pode, em muitos casos, ser reflexo de um arranjo da família. Em outras palavras, podemos dizer que a depressão &#8220;de uma pessoa&#8221; é, na verdade, uma manifestação de um problema da família. É como se ao invés da família resolver um problema, ela criasse um sintoma em uma pessoa. da mesma forma que ocorre em doenças psicossomáticas. O que é fantástico neste tipo de análise é que em alguns casos o sintoma familiar pode se referir à uma geração anterior, por exemplo, o sintoma pode passar de um bisavô à um bisneto e o contato entre essas duas pessoas não é necessário para isso ocorrer.</p>
<p>Fantástico e perturbador, visto que isso significa que nem sempre podemos resolver sozinhos todos os problemas de nossas vidas. Ou então, pensando de outra maneira: aquilo que trazemos em nossa mente e personalidade nem sempre se refere ao presente imediato, ao que conseguimos ver aqui e agora. Lembro-me de um cliente que, simplesmente, não conseguia sentir-se bem com ele mesmo. Fomos em várias direções, todas furadas. Por fim, indaguei sobre seus avós e bisavós. Ele não tinha muitas informações, porém tinha impressões sobre a família. Em uma de nossas sessões, a partir da observação do comportamento dele e do conteúdo e forma da fala, percebi que havia algo relacionado ao seu lugar na família de origem que não o permitia sentir-se bem.  Quando lhe disse que ele não tinha um lugar próprio, desatou a chorar, depois disse que fazia sentido e não ao mesmo tempo, pois ele sempre foi bem quisto na família. Ao perguntar para os pais sobre alguém que não havia tido lugar, os mesmos lhe contaram de um irmão que faleceu, ele nunca soube dessa história.</p>
<p>Aquilo que não podemos ver nos afeta. Freud trouxe a ideia de inconsciente, agora nos vemos com a noção de heranças familiares. Explorar esse caminho é, no entanto, entrar em contato com nossas raízes e alma. Não se trata de algo impossível de acessar, mas sim, de algo que precisamos atentar. Sem atenção não é possível ver. Em muitos casos a ajuda se faz necessária, nem sempre conseguimos ver tudo sozinhos, faz parte do jogo que seja assim.</p>
<p>Abraço</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://akimneto.com.br/2021/11/26/sobre-aquilo-que-nao-podemos-ver/">Sobre aquilo que não podemos ver</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://akimneto.com.br">Akim Neto Psicólogo Clínico</a>.</p>
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		<item>
		<title>A dolorosa consequência da realidade</title>
		<link>https://akimneto.com.br/2021/11/24/a-dolorosa-consequencia-da-realidade/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[psicoakim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Nov 2021 21:59:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Eu não quero mais falar com ela. &#8211; Eu sei. &#8211; Ela não merece. &#8211; É o contrário. &#8211; Contrário? Como contrário? Olhe o que ela fez para mim! &#8211; Sim, ela foi &#8220;sacana&#8221;. &#8211; Então! &#8211; Mas quem não merece falar com ela é você, porque querer, você quer. (silêncio) &#8211; E porque &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2021/11/24/a-dolorosa-consequencia-da-realidade/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">A dolorosa consequência da realidade</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Eu não quero mais falar com ela.</p>
<p>&#8211; Eu sei.</p>
<p>&#8211; Ela não merece.</p>
<p>&#8211; É o contrário.</p>
<p>&#8211; Contrário? Como contrário? Olhe o que ela fez para mim!</p>
<p>&#8211; Sim, ela foi &#8220;sacana&#8221;.</p>
<p>&#8211; Então!</p>
<p>&#8211; Mas quem não merece falar com ela é você, porque querer, você quer.</p>
<p>(silêncio)</p>
<p>&#8211; E porque eu não mereço?</p>
<p>&#8211; Porque não consegue reconhecer que quer falar com ela.</p>
<p>&#8211; Odeio isso.</p>
<p>&#8211; Sim.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O filme &#8220;Her&#8221; tem uma frase linda: &#8220;o passado é só uma história que contamos à nós mesmos&#8221;. Porém, refletir sobre ela é um tanto chocante e exige maturidade. Dizer que o passado é &#8220;só uma história&#8221; não deve ter como foco a palavra &#8220;só&#8221;, mas sim &#8220;uma história&#8221;. Ao tomar a discussão por este lado, entramos no tema da realidade.</p>
<p><span id="more-6793"></span></p>
<p>Uma das tarefas que cabe à todo psicólogo clínico em praticamente todos os seus atendimentos é a &#8220;redefinição&#8221;. Nela, tratamos de dar um novo sentido sobre um evento ou nova definição sobre um conceito que a pessoa traz consigo. O que faz esta tarefa tão importante e comum é o fato de que muitos conceitos e significados que traçamos em algum momento de nossas vidas, se tornam disfuncionais mais tarde. Porém, como sabemos que eles se tornam disfuncionais?</p>
<p>Tomando um adolescente classe média, média alta que não precisa trabalhar, por exemplo. Talvez essa pessoa deseje, aos seus 16 anos, ter um lugar só para si, uma casa para receber os amigos e festar, dormir a hora que quer e fazer &#8220;o que bem entende&#8221;. Ao atingir isso, mais tarde, no começo ela se deleita com a execução de todos os seus desejos. Algum tempo depois, ao iniciar vida profissional e, talvez, marital percebe que há algo de errado. As crenças elaboradas na adolescência sobre o que é &#8220;ser um adulto&#8221;, não estão em harmonia com a realidade. Antes seus pais o acordavam, agora seu emprego pede que ele acorde cedo, por exemplo. &#8220;Onde está a minha liberdade?&#8221;, pergunta-se a pessoa.</p>
<p>O problema não é a &#8220;falta de liberdade&#8221; e sim a concepção que o adolescente criou sobre como deveria ser uma vida com &#8220;liberdade&#8221;. A realidade é: ele escolheu o emprego, a namorada e a casa. Escolheu crescer e tudo isso vem com limites. Porém a &#8220;história&#8221; que ele ainda tem em mente é que &#8220;estava indo tudo bem, minha vida estava tranquila e daqui a pouco eu tenho que fazer isso e fazer aquilo e não tenho mais a minha liberdade&#8221;. As histórias que contamos para nós são a interpretação que tiramos de nossas experiências, porém elas são histórias e não a realidade em si. Quando lidamos com a realidade em si, as coisas são diferentes.</p>
<p>As histórias são &#8220;boas&#8221; a realidade é cruel. Nas histórias sempre temos uma desculpa externa para nosso sofrimento, na realidade não. Então as redefinições se tornam necessárias. Sabemos que uma crença é disfuncional olhando para a realidade. Quando nossos conceitos criam histórias que nos ajudam, crescemos e eles são funcionais. Quando atrapalham nosso crescimento, se tornam disfuncionais. Uma pessoa mais amadurecida, por exemplo, diria que escolhas trazem consequências. Ela, então, pensa nas consequências, ganhos e perdas que terá com as escolhas que fará e decide se está disposta a enfrentar isso ou não. Assim sendo, ela entende o que acontece depois como &#8220;parte do jogo&#8221; e não como &#8220;perda da liberdade&#8221; como alguém mais imaturo pensa.</p>
<p>A realidade é dolorosa em relação as histórias porque ela sempre nos apresenta perdas. Sempre vamos perder algo à medida em que crescemos e o tempo passa. A realidade cobra seu preço de maneira crua e imparcial. Por outro lado, ela traz a liberdade verdadeira: aquela na qual ação e consequência caminham juntas e todos temos limites. Nela, as coisas são pequenas: apenas o que pode acontecer acontece. De outra lado, o fato das coisas acontecerem dessa forma nos faz fortes para realizá-las. As histórias, são ricas, muito pode acontecer nelas, porém, se tornam restritas, porque não somos tão potentes ou tão vítimas quanto nossas histórias gostam de nos colocar.</p>
<p>Abraço</p>
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		<title>Síndrome de cafajeste (ou &#8220;isso é coisa de homem né?&#8221;)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[psicoakim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Nov 2021 21:58:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gotas]]></category>
		<category><![CDATA[Akim Rohula Neto]]></category>
		<category><![CDATA[Amor próprio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Ah doutor, mas é muito difícil&#8230; você é homem, você sabe. &#8211; Sei do que? &#8211; Que a gente tem que satisfazer os desejos. &#8211; Claro, mas o que isso tem a ver com traição? &#8211; Ah, tem outras mulheres não tem? &#8211; Tem. Mas e o meu desejo em ter somente uma não &#8230; <a href="https://akimneto.com.br/2021/11/15/sindrome-de-cafajeste-ou-isso-e-coisa-de-homem-ne/" class="more-link">Continue reading <span class="screen-reader-text">Síndrome de cafajeste (ou &#8220;isso é coisa de homem né?&#8221;)</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Ah doutor, mas é muito difícil&#8230; você é homem, você sabe.</p>
<p>&#8211; Sei do que?</p>
<p>&#8211; Que a gente tem que satisfazer os desejos.</p>
<p>&#8211; Claro, mas o que isso tem a ver com traição?</p>
<p>&#8211; Ah, tem outras mulheres não tem?</p>
<p>&#8211; Tem. Mas e o meu desejo em ter somente uma não conta?</p>
<p>&#8211; Mas e quem disse que eu tenho esse desejo?</p>
<p>&#8211; Você, ao escolher ficar com uma.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Muitos homens são presos, vítimas de uma ideia de que homem <strong>precisa </strong>sair &#8220;espalhando seus genes pelo mundo&#8221;. Não é apenas falsa esta noção como também cria a desculpa ideal para que muitos homens nunca entrem em contato com suas emoções e a dificuldade que sentem em expressá-las. A dor da solidão, mascarada de liberdade é o destino desses homens.</p>
<p><span id="more-6707"></span></p>
<p>Em primeiro lugar, vamos deixar claro algo: as pesquisas mais recentes mostram que o cérebro humano tem a capacidade de ser feliz tanto em uma relação monogâmica quanto em uma poligâmica. Não é o &#8220;destino da natureza&#8221; sermos todos necessariamente poligâmicos para sermos felizes. Este esclarecimento é necessário porque muitos homens tem a crença de que eles precisam ter várias mulheres. Em segundo lugar: sexo com profissionais do sexo também é considerado traição. Este esclarecimento é importante porque muitos homens acham que sexo com profissionais não é traição, porém isso só é verdadeiro se for de comum acordo &#8211; o que quase nunca é.</p>
<p>Homens com a &#8220;síndrome de cafajeste&#8221; tem como marca várias distorções do pensamento que asseguram à eles algo que é confundido com liberdade: solidão. Mas porque alguém deseja a solidão? É comum à esses homens a sensação de liberdade ao chegar em casa e ter a casa vazia. Sentem-se felizes porque não vai ter &#8220;ninguém para encher o saco&#8221;. Essa sensação é, na verdade, um afastamento das demandas emocionais. Em geral, acham &#8220;um saco&#8221; ter que dizer &#8220;eu te amo&#8221;, ficar agarradinho com a mulher ou fazer carinho. Sentimentos ternos e calmos causam muita ansiedade neles e por este motivo desejam &#8220;liberdade&#8221;. Porém esta liberdade é, na verdade, o desejo por solidão.</p>
<p>Porque não é apenas com a mulher atual que eles sentem a &#8220;encheção de saco&#8221;, é com qualquer uma. Em geral, as relações demoram de 6 meses a um ano para se tornarem chatas e elas começarem &#8220;com coisas de mulher&#8221;. O fato é que esses homens não sabem ser ternos &#8211; nem com eles mesmos &#8211; e, por isso, terminam buscando a solidão. A ternura é confundida com fraqueza e a solidão com liberdade. A poligamia é confundida com força e com a sua &#8220;verdadeira natureza&#8221;, algo que &#8220;não dá para controlar&#8221;. Porém, porque não dá?</p>
<p>Porque é uma forma de dependência. O ciclo funciona assim: ao estar em uma relação afetiva por mais tempo, ele percebe o desejo de ternura &#8211; dele e da mulher &#8211; porém não sabe como lidar com isso, entendendo que ternura é igual fraqueza (aqui entra o medo inconsciente de ser dominado). Com isso em mente se sente preso, é requisitado pela mulher à falar de seus sentimentos (o que ele entende como &#8220;cobrança&#8221;), mas fecha-se mais ainda o que aumenta a sensação de &#8220;prisão&#8221;. Por fim, sente a necessidade de &#8220;liberdade&#8221;, &#8220;fazer o que quer&#8221;. É aí que as outras mulheres entram e por este motivo que é &#8220;incontrolável&#8221;. É porque o homem quer &#8220;despressurizar&#8221; e não porque essa é a sua &#8220;natureza&#8221;.</p>
<p>O ponto fundamental, então, reside em aprender a ter sentimentos ternos. A falta desse aprendizado é o que realmente aprisiona o homem e não a sua relação &#8211; afinal, ele é livre para ficar ou ir embora, não é mesmo? Enquanto ele não aprende a sentir e identificar isso como sinal de força, precisa manter-se apegado à luta, trabalho e sexo fora do casamento como maneiras de se provar homem. Ora, quem precisa &#8220;provar&#8221; é porque não é ainda. O homem de verdade pode ser terno quando quer e quando isso é bom para ele. Assim, não há o sentimento de ser prisioneiro das &#8220;coisas de mulher&#8221; e sim a liberdade de sentir e expressar as &#8220;coisas de humano&#8221;.</p>
<p>Abraço</p>
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