• 12 de maio de 2021

    Inveja

    – Akim… eu não sei como te dizer isso.

    – O que é?

    – Me dá até vergonha

    – Do que?

    – Ai… sei lá… é que tem uma amiga minha… eu acho ela maravilhosa!

    – E?

    – E eu morro de inveja dela… meu Deus… tudo o que ela faz parece super…

    – Você gostaria de ser ela?

    – Nossa, sim!

    A inveja é uma emoção dolorosa e potencialmente prejudicial. Considerada um pecado, ela é mais comum do que pensamos e possui relação estreita com nossa auto estima e a maneira que vivemos em sociedade.

    A inveja é uma emoção social, ou seja, precisamos de um contexto social para que ela esteja presente. Sentir inveja é desejar algo que não é seu ou que você não possui. Porém o detalhe sobre a inveja é que ela se relaciona diretamente com o sucesso que esta coisa tem na vida de outra pessoa. Esse detalhe é crucial no impacto que a inveja possui.

    Ninguém sente inveja de uma aquisição que, de alguma maneira, não traga valorização social para uma pessoa. Se alguém consegue adquirir um bem que no seu sistema de crenças não melhora em nada a vida da pessoa, dificilmente você sentirá inveja. Se este bem não trouxer por aclamação social benefícios para a pessoa você também não sentirá inveja.

    Pessoas que tramam contra alguma outra por inveja, em geral seguem duas vertentes: destruir a reputação moral do outro afim de que suas conquistas sejam invalidades ou conseguir tirar do outro a conquista seja tomando para si o mesmo objeto de interesse ou conseguindo um de “maior valor”. O objetivo, como se pode ver é obter algo que é do outro, este é o motivo que torna a inveja potencialmente destrutiva.

    Outra causadora da inveja é a baixa auto estima. Adoro a frase de Nathaniel Branden que diz que auto estima é o estado de quem não está em guerra nem consigo e nem com outros. Assim sendo a inveja é uma emoção típica de baixa auto estima, visto que nos coloca instantaneamente em guerra conosco num primeiro momento e com os outros caso ela esteja realmente baixa.

    Em uma palestra Leonardo Karnal diz que a verdadeira prova de amizade recai na pessoa que fica feliz pelo sucesso da outra. O ponto cai como uma luva na temática da inveja porque ela provoca exatamente o contrário. A inveja é uma mostra que as nossas “faltas” contam mais do que o sucesso de outra pessoa. Assim sendo, é uma demonstração clara de egocentrismo. Nesse sentido, não existe inveja boa, porque ela sempre coloca a pessoa em guerra.

    O único ponto positivo que a inveja pode ter é de levar a pessoa a refletir sobre o que ela está fazendo com a vida dela. Dessa maneira, suas “faltas” se tornam mais evidentes e ela poderá correr atrás do que realmente quer. O contrário é ficar invejando as conquistas de outros pelo fato de não estar no mesmo patamar.

    Ter a capacidade de sentir alegria pela conquista alheia, sem desejar para si é um belo exercício de desapego. Algo difícil em nossa sociedade atual que nos comanda a buscar “todas” as experiências prazerosas possíveis. Nesse sentido é que não conseguimos olhar para algo bom que a outra pessoa se fez sem desejar para nós o mesmo. A falta de reconhecimento de que a vida de cada um de nós é única ajuda o aumento de nossa inveja.

    Abraço

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